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Avós e netos Foto © Mikhail Nilov / Pexels

[Dicionário particular]

“n” de netos, de três netos

| 04/06/2025

 

Sou filha única. Sou mãe de uma filha única. Sou avó de três netos porque, segundo a minha filha, a família estava a ficar muito pequena!

Tinha trinta e oito anos quando nasceu o meu primeiro neto, trinta e nove quando nasceu o segundo e quarenta e seis quando nasceu a terceira. Admito que, atualmente, não é muito comum encontrarmos avós com essa idade e, por esse motivo, fui muitas vezes confundida como sendo a mãe das criancinhas, o que não deixa de ser bastante divertido em certas ocasiões – ficarão para sempre na minha memória as carinhas dos meus netos na caixa do supermercado, ou nas lojas, quando lhes diziam para ajudarem a mamã com os sacos das compras: “Não é a nossa mãe, é a nossa avó!”; ou quando alguns coleguinhas na escola perguntavam: “É a vossa mãe?” e eles, muito indignados, respondiam: “Claro que não, é a avó!”

Ter netos é uma das experiências mais gratificantes que a vida me ofereceu, os meus netos são uma dádiva, uma graça, uma bênção dos Céus. Porquê?…

Quando pensamos em netos, vêm-nos logo à cabeça sorrisos inocentes, olhares curiosos, uma energia contagiante. Os netos renovam a esperança e trazem uma nova luz à vida.

Ter netos é como receber presentes todos os dias, é poder reviver momentos da nossa própria infância e deixarmo-nos encantar com as descobertas que eles vão fazendo do mundo. Cada abraço ou ataque de riso partilhados serão lembranças preciosas que ficarão guardadas na memória e no coração. É maravilhoso vê-los crescer, aprender, desenvolver, e sentir que está ali algo nosso, esculpido pelo nosso amor, pelo tempo que lhes dedicamos a orientar e a dar apoio.

A convivência com os netos ensina-nos a paciência, a compreensão e a alegria. Os netos lembram-nos constantemente a importância de aproveitar o tempo presente, de valorizar as pequenas coisas e de manter viva a criança que existe dentro de cada um de nós. Além disso, os netos têm o poder de unir as famílias, criando laços através de momentos e lugares que se tornam inesquecíveis.

Ter netos promove a troca de experiências. São os netos que nos “forçam” a voltar a desenvolver a criatividade: criamos jogos, histórias e brincadeiras que nos libertam da rotina diária e que, simultaneamente, nos proporcionam ver o mundo através dos seus olhares de admiração e espanto, renovando-nos a esperança.

Para os avós, os netos são como que uma continuidade, uma ligação com o futuro, são a oportunidade de se poderem sentir a prolongar no tempo através do amor, dos valores, dos hábitos e das lembranças que com eles foram construindo. A relação entre avós e netos faz sentir que, mesmo que os anos passem, mesmo que os netos se agigantem e os avós vão minguando, há um espaço só deles, ocupado por essa relação, que fica para sempre.

Ser avó de três netos tem sido, sem dúvida, uma jornada de amor, de paciência e de dedicação, um desafio que exige cabeça e coração abertos e que é, acima de tudo, poder experimentar a doçura de um amor ternura.

Sobre este “n” ficará sempre algo por dizer, é impossível explicar completamente o que se sente profundamente.

Júlia Costa: Netos

Júlia Costa e os seus três “n”etos, uma espécie de simbiose, do grego symbiósis, em bom português, camaradagem e vida em comum. Foto: Direitos Reservados.

 

Júlia Costa é cristã na essência, católica por tradição. Ligada à paróquia da Amadora, na Pastoral Juvenil e na Promoção da Comunidade. Mãe de uma filha, avó de três netos. Profissionalmente na área da contabilidade, embrenhada em números, mas desde sempre fascinada pela palavra.

 

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