“Profundamente comovidos” com a notícia da morte daquele que os inspirou e que trabalhou ao seu lado, os curas villeros – grupo de padres argentinos comprometidos com o trabalho pastoral nas periferias – defendem que “a melhor forma de reconhecer e agradecer ao Papa é pôr em prática os seus ensinamentos”. Assim, no próximo sábado, 26 de abril, farão um “pacto de amor por Francisco”, partindo em caravana para visitar “lugares que recordam a viagem de Francisco pelas periferias” de Buenos Aires.
A homenagem dos curas villeros (em português, “padres das favelas”) irá começar com a celebração de uma missa na catedral da cidade, à qual se seguirá um almoço partilhado na Plaza de Mayo – a principal praça da capital argentina – com as diferentes comunidades dos bairros populares e de lata em que estes presbíteros trabalham e que Jorge Bergoglio visitava regularmente quando era arcebispo de Buenos Aires.
Depois, a pé, de carro ou autocarro, os padres irão visitar hospitais, prisões, centros de acolhimento para pessoas em situação de sem abrigo, aldeias pobres. “Recordaremos as suas palavras e imitaremos as ações do então cardeal Bergoglio, com quem aprendemos a ser uma Igreja em caminho, mais como um hospital de campanha do que outra coisa”, afirmam os curas villeros, num comunicado enviado esta quinta-feira, 24 de abril, ao 7MARGENS.
“Manteremos este Pacto de Amor por Francisco a partir de agora, todos os anos, como parte do seu legado, e iremos também a outros lugares onde ele também nos ensinou a ser uma Igreja pobre para os pobres, como sempre sonhou”, anunciam.
Na mensagem que havia divulgado logo na segunda-feira, poucas horas após terem recebido a notícia da morte do Papa, a equipa de presbíteros que atua nas favelas de Buenos Aires assegurava: “agora, mais do que nunca, queremos estar ao lado das pessoas, apoiando as nossas comunidades organizadas no seu bom trabalho”.
“Sentimos uma dor imensa”, reconheciam, pelo “enorme vazio” que a partida de Francisco lhes deixa, eles que surgiram em 1969 e estiveram afastados da hierarquia eclesiástica, até que Bergoglio, no papel de arcebispo de Buenos Aires, estendeu pontes decisivas. E que muito ansiavam por uma visita do Papa à Argentina [ver 7MARGENS].
Mas “ao mesmo tempo [sentimos] uma paz enorme ao saber que temos um aliado no céu que nos dará força para continuar”, acrescentavam. Porque o legado de Francisco é “igualmente grande”, sublinham os curas villeros: “uma Igreja pobre para os pobres, uma Igreja que sai, uma Igreja que é um hospital de campanha, uma Igreja próxima, compassiva e amorosa. Uma Igreja que nos torna a todos irmãos e irmãs e que cuida da terra, dos nossos telhados e dos nossos empregos — uma Igreja para TODOS”.
E concluem: “Os mais pobres, os esquecidos, os descartados, os presos, os doentes, os idosos, as crianças, os que estão nas ruas… são o legado de Francisco”.










