Belém "está de luto e triste"

Na cidade onde Jesus nasceu, o Natal foi cancelado

| 27 Nov 2023

Trabalhadores retiram decorações de Natal das ruas da cidade de Belém. Foto Câmara Municipal de Belém

As decorações natalícias que já se encontravam montadas no centro da cidade estão agora a ser retiradas. Foto © Câmara Municipal de Belém.

 

Não festejar o Natal precisamente na cidade onde – segundo a tradição cristã – nasceu Jesus? O paradoxo é enorme, mas não tão grande como a tristeza e a dor que pairam nas ruas de Belém, na Cisjordânia, e que se revelam nos semblantes dos poucos que as percorrem. “Belém, como qualquer outra cidade palestiniana, está de luto e triste… Não podemos comemorar enquanto estivermos nesta situação”, afirma Hanna Hanania, presidente da câmara cessante. O município decidiu, assim, cancelar os eventos de Natal e retirar todas as decorações da cidade. Unindo-se ao apelo dos Patriarcas e Líderes das Igrejas em Jerusalém, Hanania pede a todos que se concentrem na oração: “Rezaremos a Deus para que haja paz na terra da paz”.

Assim, a Praça da Manjedoura não terá a habitual árvore de Natal gigante, que no início do Advento atraía milhares de pessoas para assistir à sua iluminação, e as decorações que já se encontravam montadas no centro da cidade estão agora a ser retiradas, como dá conta a jornalista Marinella Bandini, numa reportagem publicada este domingo, 26, pela Catholic News Agency (CNA).

A poucos passos da Basílica da Natividade, as persianas de quase todo o comércio local estão corridas. São, na sua maioria, lojas de souvenirs e artesanato local, que sem peregrinos não têm clientes. Desde o início da guerra, os principais pontos de entrada na cidade foram fechados e a deslocação entre diferentes cidades palestinianas é muito difícil devido aos postos de controlo e às estradas bloqueadas. A produção também parou: não é prudente assumir custos sabendo que a época do Natal – normalmente a mais movimentada na cidade – está perdida. 

Num ano em que se esperava “um pico” de visitantes, particularmente vindos dos Estados Unidos da América, a guerra mudou tudo. Das 15 mil pessoas que trabalhavam no setor do turismo, 12 mil estarão agora desempregadas. “Posso estimar que 90% delas são cristãs”, adianta Majed Ishaq, diretor-geral do departamento de marketing do Ministério do Turismo e Antiguidades da Palestina, à CNA.

Lina Canavati é cristã, mas não trabalha na área do turismo: é assistente social num hospital pediátrico da cidade, e explica que os poucos que chegam ao hospital “não têm dinheiro para pagar”, embora se trate de uma instituição caritativa e as taxas sejam simbólicas. Além disso, acrescenta, “há famílias que vêm pedir apoio financeiro”.

O Natal aproxima-se, assim, “com tristeza, dor e sofrimento”, lamenta Lina. E até mesmo nas famílias que não estão a atravessar dificuldades financeiras, “os pais têm vergonha de comprar presentes para os filhos, quando muitas famílias não conseguem suprir as necessidades básicas deles”.

Contrastando com as ruas quase desertas, a igreja latina de Santa Catarina, ao lado da Basílica da Natividade, tem estado cheia, em sinal de que os apelos dos Patriarcas e Líderes das igrejas em Jerusalém e da presidente da câmara foram ouvidos.

Missa pela paz na Terra Santa, na paróquia latina de Santa Catarina, em Belém. Foto Paróquia de Santa Catarina

Missa pela paz na Terra Santa, na paróquia latina de Santa Catarina, em Belém, no passado dia 22 de outubro. Foto © Paróquia de Santa Catarina.

 

“Estamos a aproximar-nos do tempo do Advento”, disse à CNA o pároco de Belém, padre Rami Asakrieh. Decidimos concentrar-nos mais no significado do Natal do que em mostrá-lo, pelas roupas ou pelas festas e mercados. Todas essas coisas são lindas, mas não são o verdadeiro significado do Natal”.

Lina acrescenta que, aconteça o que acontecer, os cristãos que vivem na Terra Santa não desistirão de celebrar o nascimento de Jesus Cristo “porque é isso que traz esperança” às suas vidas. “Acredito que o maior presente que Deus nos deu é o dom da esperança e com o Natal alimentamos esta esperança nos nossos corações”. Mesmo no meio de uma guerra que, apesar do cessar fogo vivido por estes dias, não tem fim à vista.

 

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