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VI Conferência do Conselho Mundial de Igrejas, no Egito, outubro 2025. Foto Albin HillertWCC
A VI Conferência do Conselho Mundial de Igrejas realizou-se em Alexandria, de 23 a 28 de Outubro. Foto © Albin Hillert/WCC

Testemunho

Na Conferência do Conselho Mundial de Igrejas, foi claro e vibrante o desejo da Unidade

Gostava de começar este testemunho por agradecer à Igreja Lusitana, para a qual e com a qual eu sou Diácono, pelo privilégio que me deu de estar presente na VI Conferência do Conselho Mundial de Igrejas que se realizou em Alexandria, no Egipto, de 23 a 28 de Outubro passado. Agradeço também ao Sete Margens pela possibilidade de partilhar alguns pensamentos sobre a minha participação na referida Conferência.

É impossível para mim não ter com a VI Conferência do Conselho Mundial de Igrejas uma relação de deslumbre. E em vários aspectos. O seu tema será porventura o primeiro: “Quanto à unidade visível da Igreja, em que situação estamos?” (numa tradução livre do Inglês). Seguidamente, por causa da quantidade e qualidade dos participantes, das Igrejas, Comunhões Cristãs e tradições presentes que representaram todos os continentes, raças, cores e aculturações cristãs.

Havia participantes de todos os continentes, raças, cores e aculturações cristãs. Foto © Albin Hillert/WCC

Durante os trabalhos, quer nos plenários quer nos pequenos grupos cuja participação ficou à nossa escolha, todas as apresentações e debates deram a entender que continua claro e vibrante o desejo verdadeiro da Unidade. Não apenas de continuar a procurar a Unidade, mas de buscar os seus caminhos, e a grande tarefa de necessidade de mostrar ao mundo e as Igrejas umas às outras, o que se entende por Unidade e por agora o aceitável dos seus limites. Uma Unidade de investigação e uma Unidade de aplicação prática.

Teórica no sentido da investigação teológica, na observação e estudo da História das Igrejas Cristãs e de coragem para enfrentar os medos receios e desconhecimento acumulados em alguns casos, durante séculos de separação, suspeição e distância. Neste aspecto da investigação teológica das várias tradições e academias de saber, ficou muito vincada a necessidade da contribuição dos teólogos, das Universidades e das Academias como lançadores de pensamento e para que todos possam atravessar por pontes sólidas e seguras.

A Teologia, com a serenidade e a seriedade das suas ferramentas, é fundamental para se poderem dar passos seguros na direcção uns dos outros sem a ideia da “destruição“ de Igrejas, sem ideias de desaparecimento ou aglutinação, ou com o objetivo, claramente repudiado nesta Conferência, de construir ou imaginar uma “super-igreja“.

Continua a ser fundamental a análise, observação e conservação das diversas liturgias, orientais e ocidentais, do Norte e do Sul do Planeta, e para as quais o mundo moderno e as Igrejas estão mais sensíveis e inclusivas como as africanas, as latino-americanas, as do Caribe, ou das Igrejas do Pacifico, para que no processo deste modus operandi nada se perca, nem se adultere, e para que nenhuma Igreja ceda à tentação de fazer da liturgia um lugar de “des-Unidade”.

Participantes na conferência levantam cartões de consenso como sinal de apoio às propostas apresentadas, em torno do tema “Quanto à unidade visível da Igreja, em que situação estamos?”. Foto © Albin Hillert/WCC

As alterações doutrinais, ainda que mais sensíveis e por isso mais lentas, não estão fora de possibilidade, porque estão presentes nos debates e no encontro dos especialistas nestas matérias que constituem muito do âmago da identidade das Igrejas. Nesta dimensão, foi várias vezes lembrado e citado o Documento do Mútuo Reconhecimento do Sacramento do Batismo, e por razão deste documento, foi pedido a todas Igrejas presentes que o aplicassem sem medo e com seriedade. Ou seja, nele já temos – se nos permitirmos  – um instrumento que mostra publicamente onde nos situamos na questão da Unidade.

Do ponto de vista prático, foi recordado tudo o que se tem conseguido através da colaboração entre as Igrejas na área da assistência social, cuidados de saúde, intercâmbios de missionários, parcerias na educação religiosa e escolar geral e na partilha dos espaços, dando-lhes uma dimensão cada vez mais ecuménica, e quem sabe, inter-religiosa.

Como se pode imaginar, muito mais teria para escrever e descrever, desde a profundidade das reflexões, dos momentos de espiritualidade, da presença de Tawandros II, Papa dos Coptas, Patriarca de Alexandria e de todas as Áfricas, da presença muito estimada do cardeal Kurt Koch, Prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que trouxe a saudação do Papa Leão XIV, e muitos outros, ou, se me permitem, acerca da minha visita aos Mosteiros dos Monges Coptas do Deserto. Mas como todos sabemos, o tempo, o espaço e necessidade de ainda refletir em tudo o que vi e ouvi impõem as limitações que todos conhecemos.

Tawandros II (ao centro), Papa dos Coptas, Patriarca de Alexandria e de todas as Áfricas, foi uma das presenças marcantes nesta conferência. Foto © Albin Hillert/WCC

Se me permitem, termino com uma das declarações mais preocupantes e ao mesmo tempo mais interpelantes que ouvi nesta Conferência e no contexto da guerra que se vive neste momento no Médio Oriente, portanto não muito longe dali:

“Nesta guerra, as Igrejas Cristãs da Palestina e da Faixa de Gaza
não perguntam onde está Deus,
perguntam onde está a Humanidade…”

 

José Manuel Cerqueira é diácono da Igreja Lusitana Católica, Apostólica, Evangélica

 

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