No mais recente episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo, o autor Luís Francisco Marques lança uma reflexão crítica sobre a substituição do jornalismo pelas redes sociais e lembra que estas “não vivem da verdade, vivem do envolvimento emocional”, pelo que a escola precisa de ensinar novas competências analíticas que permitam discernir a realidade.
“O algoritmo – explica – recompensa aquilo que gera reação: o choque, a revolta, o medo, a simplificação, o ataque rápido”, o que gera uma realidade onde muitos jovens acompanham criadores de conteúdo diariamente sem nunca terem aberto um jornal.
O perigo iminente reside na facilidade com que se confunde popularidade com credibilidade, impulsionada por discursos focados em “confirmar aquilo que o público já queria ouvir”, enfatiza Luís Francisco Marques, deixando um aviso claro sobre a vulnerabilidade das estruturas democráticas perante a desinformação.
“Há uma ilusão muito comum. Achar que uma democracia morre apenas quando alguém proíbe falar. Mas as democracias também podem enfraquecer quando já ninguém sabe em que acreditar. Quando tudo parece equivalente”, diz o autor do podcast.
Perante este cenário, a instituição escolar surge como o principal reduto para combater a superficialidade. O professor defende que a escola não deve competir na velocidade das redes, mas sim oferecer o que o ambiente digital anula: a distância crítica, a lente histórica e a capacidade de argumentação.
Este programa, que pretende ser um convite à reflexão num mundo cada vez mais polarizado e automático, está a ser transmitido às sextas-feiras na Rádio Regional do Centro, e é cedido pelo autor e pela RRC ao 7MARGENS.
A reflexão completa pode ser escutada a seguir.













