Na festa muçulmana do sacrifício, católicos apelam à unidade

| 31 Jul 20

Mesquita Central de Lisboa. Oração. Islão

Oração na Mesquita Central de Lisboa antes da pandemia. Foto CIL

 

“Amados irmãos muçulmanos”, assim se dirigiu o patriarca caldeu, Louis Raphael Sako, a todos os cidadãos de fé islâmica no Iraque, que na tarde de quinta-feira, 30 de julho, iniciaram as celebrações de Eid al Adha, a festa do sacrifício. No mesmo dia, também os bispos católicos franceses dirigiam uma carta a todos os muçulmanos, apelando a uma cada vez maior fraternidade e solidariedade entre as diferentes religiões.

“Esta festa islâmica celebra-se este ano em condições duras, enquanto a vida dos cidadãos está sob o peso crescente da emergência sanitária e do peso social”, escreveu o representante da Igreja Caldeia, citado pela agência Fides.

Recordando que a festa de Eid al Adha assinala a prova de obediência dada por Abraão, que se mostrou disposto a sacrificar a vida do próprio filho caso essa fosse a vontade de Deus, o patriarca Louis Sako afirmou que é também “um convite para voltarmos a nós próprios, arrependermo-nos e renovarmo-nos, sacrificando os interesses privados ou da própria fação em prol do bem e dos crescimento do nosso país e para custodiar a dignidade dos nossos cidadãos”.

Para o patriarca caldeu, a festa muçulmana do sacrifício representa assim “uma oportunidade de unir energias em espírito de responsabilidade nacional, cooperando com o governo atual e com todas as pessoas de boa vontade, para superar a pandemia de coronavírus e todas as outras emergências”.

Também os bispos católicos franceses, num documento assinado pelo padre Vincent Feroldi, diretor do Serviço Nacional para as Relações com os Muçulmanos, consideram que para “preservar o bem e a vida de todos” é essencial “combinar a prática das nossas respetivas crenças com uma atitude cívica comum”, avança o Vatican News.

“Confinados, tivemos que nos reinventar para continuar a viver a atitude fundamental do crente, que é estar em relação com Deus através da oração, prestar muita atenção ao nosso próximo através da escuta, da partilha, da solidariedade e da preocupação e promover a vida em todas as suas formas”, sublinham.

Com o fim do confinamento, os bispos esperam “que possa continuar a dinâmica iniciada durante todo o período de quarentena entre os líderes das diversas tradições religiosas presentes na França, a fim de superar, junto com todos os nossos concidadãos, a pandemia do coronavírus”.

E terminam com uma oração a “Deus Todo-Poderoso”, pedindo que ele mantenha os crentes “unidos na confiança para continuar a nossa peregrinação na terra, trabalhando para torná-la mais fraterna e solidária a cada dia”. “Feliz festa de Eid al-Adha!”, conclui a mensagem dirigida as muçulmanos. “Deus vos abençoe, e abençoe as vossas famílias e comunidades”.

 

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