
No Reino Unido, a participação eleitoral é muito maior entre o conjunto de pessoas com rendimentos mais altos do que no grupo de menores rendimentos, conclui um estudo. Foto © Pexels
Todos os cidadãos são iguais na hora de votar. No Reino Unido, não – conclui um estudo do Institute for Public Policy Research (IPPR). A riqueza, a propriedade, o grau de instrução, a idade e a etnia marcam profundamente a relação dos cidadãos com a política em geral e induzem comportamentos muito diferentes não apenas na escolha dos partidos, mas na própria relação com as eleições.
A participação eleitoral é muito maior entre o conjunto de pessoas com rendimentos mais altos do que no grupo de menores rendimentos, escreve The Guardian na sua edição de 11 de dezembro, que cita o estudo: “A disparidade de participação era negligenciável entre os grupos sociais na década de 1960, mas cresceu em 2010 para 18 pontos percentuais entre o conjunto de pessoas com maiores rendimentos – que são mais propensos a votar – e o grupo mais baixo.”
A diferença de ida às urnas é ainda maior (23 pontos percentuais) se o cidadão vive em casa própria, ou não. Ou seja, a percentagem de comparência às urnas por parte dos proprietários das casas em que vivem é superior em 23 pontos à percentagem dos cidadãos-inquilinos que participam nas eleições. Esta disparidade desce para 15 pontos quando se compara a percentagem de votantes licenciados com a dos que vão votar mas não frequentaram a universidade. Por outro lado, 28 pontos separam os votantes com 61 anos ou mais que comparecem nas urnas em muito maior percentagem do que os jovens dos 18 aos 24 anos.
Mais errática é a determinação da abstenção com base no grupo étnico de pertença: em 1985 a percentagem de brancos votantes foi de mais 4 pontos do que a de todos os outros grupos étnicos; em 2005 essa diferença subiu para 30 pontos; para baixar para a casa dos 7 pontos em 2019.
O estudo também analisou quem de algum modo estive em contacto com políticos, descobrindo que um em cada três licenciados contactou diretamente um político, em comparação com uma em cada sete pessoas sem diploma.
O IPRR recorda que o Reino Unido está entre os países europeus em que as desigualdades de rendimentos são mais gritantes e não param de se agravar. Como expressão desta desigualdade é apontado o facto de em 1960 o 1 por cento dos mais ricos se apropriar de 3,5 por cento do rendimento, valor que mais do que duplicou, passando a ser de 8 por cento, em 2020.
Os autores do trabalho escrevem como conclusão final: “As pessoas neste país não são politicamente iguais. Dito de outra forma, o democrático princípio de ‘um homem, um voto’ não se aplica. Desigualdades de poder e influência são geradas e reforçadas em todo o processo de elaboração de políticas. Isto explica o crescimento da desigualdade económica, a erosão da confiança na competência e na capacidade redistributiva dos governos democráticos e explica também a ascensão do populismo.”










