Cardeal António Marto

Na Igreja em Portugal, há “resistência passiva” ao Sínodo

| 13 Out 21

O cardeal António Marto acredita que não há «resistência ideológica» ao Sínodo em Portugal. Foto © Santuário de Fátima

 

“Sinto que há entusiasmo, mas também uma tendência de resistência passiva, não ideológica”, na Igreja Católica em Portugal, em relação ao Sínodo que o Papa Francisco convocou e cujo processo foi iniciado no sábado passado, em Roma, com uma sessão de testemunhos e debates. Uma iniciativa “de grande relevância pela novidade que o Papa Francisco introduz”, com ela, na dinâmica dos sínodos.

A ideia foi afirmada pelo cardeal António Marto, bispo de Leiria-Fátima que, na conferência de imprensa que marcou o início da peregrinação de 12-13 de Outubro, em Fátima, explicou as razões para a resistência de alguns sectores católicos: “Há um certo receio sobre o que isto significa – mas nem o Papa sabe, ele próprio o diz; à medida que vamos fazendo caminho iremos descobrindo.”

Em pano de fundo, estaria o atraso com que, em Portugal, as diferentes dioceses estão a constituir as equipas coordenadoras da dinâmica sinodal. Além disso, o guião do processo elaborado pelo secretariado do Sínodo, no Vaticano, sugere que em cada diocese haja um momento de debate e testemunhos. Mas, de acordo com as notícias das diferentes dioceses já publicadas pela Ecclesia, apenas quatro já anunciaram que organizam uma pequena assembleia sinodal antes da celebração da eucaristia.

Ao início da tarde, na conferência de imprensa depois da reunião do conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, o padre Manuel Barbosa admitiu um “problema de comunicação”, mas sublinhou que “todas as dioceses já estão a trabalhar” e os responsáveis da equipa têm vindo a ser nomeados.

De resto, o secretário da CEP afirmou ainda que todos os contributos de reflexão que cheguem de fora da instituição serão bem-vindos – incluindo “quem não habita os espaços eclesiais”. Até porque existe a possibilidade de cada pessoa ou grupo enviar directamente os seus contributos para Roma.

Referindo-se ao Sínodo como “um momento crucial” que “marca o pontificado deste Papa”, o cardeal Marto afirmou que “ninguém pode faltar à chamada que o Papa dirige a todos”, na reflexão sobre a mudança do “modelo de Igreja clerical, centrada no poder do clero, ao modelo da Igreja sinodal, baseada na corresponsabilidade de todos os fiéis e na sua participação e auscultação”.

O sínodo é um “processo de discernimento que passa pela escuta em comunidade, a partir de experiências concretas”, afirmou ainda o cardeal Marto. “Este é o modo de viver e agir que Deus espera da Igreja no terceiro milénio, como diz o Papa”, declarou, acrescentando: “O objectivo do Sínodo não é produzir propriamente documentos”; antes deve ser inspiração para construir uma Igreja diferente, “estimuladora de confiança, predisposta a sanar feridas, a tecer novas e profundas relações, a construir pontes, iluminar consciências e envolver todos”.

O objectivo final, diz o bispo de Leiria-Fátima, é chegar a uma “Igreja inclusiva” que acolha “todos, mulheres, deficientes, refugiados, migrantes, idosos, pobres, ricos, jovens, adultos, todos”, incluindo “baptizados ou mesmo pessoas de boa vontade que não são membros da Igreja ou, porventura, não sejam crentes”.

 

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