AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

O Papa saúda uma criança em cadeira de rodas durante uma das audi~encias gerais. Foto Vatican Media
O Papa saúda uma criança em cadeira de rodas durante uma das audiências gerais. Foto © Vatican Media

Apresentada esta terça-feira

Na mensagem para o Dia Mundial do Doente, Leão XIV recorda a todos o que é o verdadeiro amor

| 20/01/2026

Como devemos tratar os doentes e os mais frágeis entre nós? Leão XIV responde na sua Mensagem para o 34º Dia Mundial do Doente (que se celebrará no próximo dia 11 de fevereiro), dada a conhecer na manhã desta terça-feira, 20 de janeiro, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Para o cardeal Michael Czerny, que o apresentou, este é um texto sobre a compaixão e o “verdadeiro amor”, que “nos traz de volta ao básico”, dirigindo-se a todos – cristãos e não cristãos – a viver num mundo “hiperconectado” mas onde reinam o “isolamento, solidão e desesperança”.

Embora tradicionalmente dirigida, em primeiro lugar, a profissionais de saúde e católicos a trabalhar na pastoral da saúde, a mensagem deste ano, explicou o Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, “dirige-se a todos, porque somos um só corpo, uma única humanidade de irmãos e irmãs, e quando alguém está doente e a sofrer, todas as outras categorias — que tendem a dividir — tornam-se insignificantes”.

Dedicada ao “verdadeiro amor” e às suas três dimensões “essenciais e inseparáveis” – amor a Deus, amor ao próximo e amor a si mesmo – aquela que é a primeira mensagem de Leão XIV para o Dia Mundial do Doente lembra que a terceira dimensão está “ao alcance de todos”.

Na mensagem, o Papa parte da parábola do Bom Samaritano, contada no Evangelho de Lucas, e da encíclica Fratelli tutti, escrita pelo “querido predecessor” Francisco, para lembrar que “o amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro” e  ser próximo do outro “não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar”.

Mas “vivemos imersos na cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença, que impede de nos aproximarmos e pararmos no caminho para olhar as necessidades e os sofrimentos à nossa volta”, lamenta Leão XIV. E isso impede muitas vezes a compreensão de que “a participação pessoal nos sofrimentos do outro implica dar-se a si mesmo, supõe ir mais além de satisfazer necessidades, para chegar ao ponto da nossa pessoa ser parte do dom”.

Para o Papa, não restam dúvidas: “ter compaixão implica uma emoção profunda, que conduz à ação. É um sentimento que brota do interior e leva a assumir um compromisso com o sofrimento alheio”. Sabe-o também com base na sua experiência como missionário e bispo no Peru, e partilha nesta mensagem como ali viu tantas pessoas que “partilham a misericórdia e a compaixão ao estilo do samaritano e do estalajadeiro. Familiares, vizinhos, profissionais e agentes pastorais da saúde e tantos outros que param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm, dando à compaixão uma dimensão social”.

Leão XIV lembra depois o duplo mandamento, “Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo» ( Lc 10, 27)”, para explicar que nele é possível “reconhecer a primazia do amor a Deus e a sua direta consequência na forma do homem amar e se relacionar, em todas as suas dimensões”. E concluir que mesmo a primazia do amor divino “implica que a ação do homem seja realizada sem interesse pessoal ou recompensa, mas como manifestação de um amor que transcende as normas rituais e se traduz num culto autêntico”. Ou seja: “servir o próximo é amar a Deus na prática”.

Paralelamente, amar-se a si mesmo, também “mplica afastar de nós o interesse de basear a nossa autoestima ou o sentido da nossa própria dignidade em estereótipos de sucesso, carreira, posição ou linhagem, recuperando pelo contrário a nossa própria posição diante de Deus e do irmão”, escreve o Papa.

E. defendendo que “o verdadeiro remédio para as feridas da humanidade é um estilo de vida baseado no amor fraterno”, Leão XIV termina a sua mensagem com um desejo: “que nunca falte no nosso estilo de vida cristão esta dimensão fraterna, ‘samaritana’, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo”.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Jesus salva-nos de nós mesmos

[Entre Margens]

Jesus salva-nos de nós mesmos novidade

Uma das mais profundas obras de salvação realizadas por Jesus consiste em libertar-nos não apenas do pecado e da morte, mas também das falsas imagens que construímos acerca de Deus. Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, projectamos sobre Deus os nossos medos, inseguranças e formas humanas de exercer o poder. [Texto de Vítor Rafael].

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This