Na ressaca da abundância

| 9 Ago 2022

Foto © Sharon McCutcheon, via Unsplash.

Foto © Sharon McCutcheon, via Unsplash.

Fruir é o verbo do presente e andamos pelo mundo atrás de abundâncias: de coisas, de experiências, de bem-estar e de divertimentos, cada vez mais sofisticados e inacessíveis. Vivemos como se a felicidade estivesse fora de nós, nas coisas que corremos para comprar, nas pessoas com quem estamos, nas experiências que vivemos.

Alienamos o tempo da nossa vida a todos os tic-tocs da moda, no medo de perder alguma das suas novidades e ficar fora da tendência. Vivemos ao sabor do que nos apresentam, sem qualquer filtro ou avaliação. Surfamos todas as ondas, procurando as que vêm a seguir sem perceber onde estas nos deixaram.

Não damos a nós próprios o tempo interior necessário para processar o que somos, o que vivemos e para onde vamos. Estamos cheios do que vem de fora, tão cheios que é impossível não ficarmos ressacados.

Tornamo-nos estranhos a nós mesmos.

Não sabemos o que fazer connosco quando estamos sozinhos, sem nenhum gadget que nos distraia. Não sabemos pensar, não sabemos imaginar, não sabemos ler, parar, meditar, sonhar acordados, passear sem airpods apreciando a natureza, ficar só em contemplação deixando-nos tomar pela avalanche de gratidão pela vida à nossa volta, pela nossa própria vida.

Para fruir é preciso ser. Sem ser, a vida passa por nós como água pelo oleado: nem nós nela, nem ela em nós. Vazio.

E para sermos precisamos de nos deixar olhar por Deus, vermo-nos Nele. Só o Criador pode revelar a criatura a ela mesma (Gaudium et Spes, 22). Devagar e confiadamente, num abraço íntimo que nos revela o quão (ininterruptamente, incondicionalmente) somos amados.

Levamos em nós essa centelha de filhos de Deus, cujo rosto humano é Cristo.

Há mais de dois mil anos, Cristo deixou-nos os seguintes modelos de ser e de felicidade (Mateus 5, 1-12): são felizes os pobres em espírito, os mansos, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os que sofrem perseguição por amor da justiça, e os que são insultados e perseguidos por causa do Seu nome.

Em cada uma das invocações, vemos o próprio Cristo: pobre, manso, sofredor, justo, misericordioso, puro, promotor da paz, perseguido por amor da justiça, insultado e perseguido por ser Ele mesmo.

Em que parte nos identificamos? O que perseguimos? Que riquezas carregamos que não nos permitem viver com a plenitude a que estamos destinados?

Em tempo de férias, que boa ocasião para nos colocarmos diante de Deus, deixando-nos envolver por Ele, que sempre nos acolhe e restaura. Sem pressas e sem propósito, a não ser o de estarmos ali, escolhendo a melhor parte, o único necessário, a nossa paz e a nossa felicidade. (Lucas 10, 38-42).

 

Dina Matos Ferreira é consultora e docente universitária. Contacto: dina.matosferreira@gmail.com

 

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