Nascido em 1921, o sociólogo e filósofo Edgar Morin teve também na História um tema de reflexão ao longo deste século de vida que ele próprio protagonizou. Das guerras e das suas tragédias, das transformações económicas e ecológicas, Edgar Morin retira lições fundamentais que iluminam o passado e nos ajudam a construir o futuro.
Lições da História (edição Crítica) é a sua última obra. “Um livro breve e luminoso que nos convida a reflectir sobre a evolução caótica do mundo atual”, traduzindo um “pensamento fulgurante, que continua a iluminar-nos”, como escrevia Le Monde. Por sugestão e acordo com a editora, o 7MARGENS publica três excertos deste livro. O primeiro foi sobre a importância dos mitos, este é sobre a guerra.
A criação de instrumentos de caça, como lanças e flechas, favoreceu o carácter mortífero das guerras entre as sociedades humanas. O Homo faber trabalhou para o Homo demens.
Estas guerras foram limitadas e ritualizadas entre os caçadores-recoletores. A sedentarização agrícola transformou as colheitas dos camponeses numa presa para os nómadas predadores. Os camponeses viriam a ser simultaneamente protegidos e escravizados por aqueles que os dominaram.
A guerra revela os heróis que resistem ao medo, mas também os cobardes que cedem. Mostra a obediência quase ovina das tropas enviadas para a matança e, por vezes, a revolta dessas mesmas tropas contra os seus líderes.
A educação militar revela, por si só, o grau de robotização que se impõe a um ser humano. A disciplina, os gestos mecanizados de estar em sentido, de apresentar as armas e de marchar em passo cadenciado destinam-se a transformar o soldado num autómato obediente.
O mesmo se aplica ao operário especializado nas máquinas, condenado aos mesmos gestos repetitivos, como foi genialmente parodiado por René Clair, em À nous la liberté (1931), e Charlie Chaplin, em Tempos Modernos (1936).
Nada é simultaneamente tão humano e tão desumano como a guerra.










