Nagorno-Karabakh ameaçado: 120 mil arménios bloqueados pelo Azerbaijão

| 21 Dez 2022

Corredor Lachin, Arménia, Azerbaijão, Artsakh, Nagorno-Karabakh

Mapa de 2020, do Corredor Lachin, no enclave de Artsakh (Nagorno-Karabakh), disputado entre a Arménia e o Azerbaijão. O mapa foi criado com base no mapa do Ministério da Defesa da Federação Russa. Legenda: (vermelho) fronteira estatal; (verde) fronteira das foras russas de manutenção de paz; (castanho) autoestrada; (p/b tracejado) fronteira de Nagorno-Karabakh. © Golden, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

 

A população de etnia arménia que habita no enclave de Artsakh / Nagorno-Karabakh foi bloqueada pelo Azerbaijão, que lhe cortou vias de comunicação, chegada de alimentos e abastecimento de gás (aspeto especialmente crítico no início do inverno).

Em carta dirigida ao chefe da política externa da União Europeia, Josep Borrell, duas organizações de igrejas cristãs – a Conferência das Igrejas Europeias (CEC) e o Conselho Mundial das Igrejas (CMI) – acabam de pedir a sua interveção nesta situação que se transformará rapidamente numa emergência humanitária.

O bloqueio é apresentado pelas duas organizações como “uma violação do acordo tripartido que pôs fim à guerra de seis semanas de 2020 [entre o Azerbaijão e a Arménia], do direito internacional humanitário e dos direitos humanos e princípios morais mais fundamentais”.

“Nestas circunstâncias – escrevem os dois organismos ecuménicos –, os temores arménios de um novo genocídio contra eles não podem ser ignorados, e o bloqueio de Artsakh / Nagorno-Karabakh é um contexto em que tais temores são consideravel e compreensivelmente exacerbados.”

“Isto segue um claro padrão de comportamento do Azerbaijão que contradiz qualquer reivindicação de boa vontade e responsabilidade humanitária de sua parte”, diz a carta, assinada pelo secretário-geral da CEC, Jørgen Skov Sørensen e pelo secretário-geral interino do CMI, Ioan Sauca.

A carta apela a que a União Europeia adote todas as iniciativas diplomáticas possíveis para garantir que o Azerbaijão reabra o corredor Lachin, que permitirá os contactos com a Arménia, e forneça garantias adequadas de que permanecerá aberto.

No Ângelus de domingo passado, o Papa Francisco já exprimiu preocupação pelo que se está a passar nesta região do sul do Cáucaso, especialmente no Corredor Lachin. “Em particular – disse – estou preocupado com as precárias condições humanitárias das populações que correm o risco de se deteriorar ainda mais durante o inverno.”

O catholicos da Cilicia, Aram I, da Igreja da Arménia, também interveio sobre o assunto nos últimos dias, denunciando o facto de as autoridades azeris terem deixado esta população isolada, sem abastecimentos, “lutando por sobreviver – sem aquecimento – com temperaturas de inverno abaixo de zero”. Com hospitais, escolas e serviços sociais sem poderem funcionar adequadamente, alertou Aram I, “a perspectiva torna-se ameaçadoramente sombria”, podendo desembocar numa “catástrofe humanitária” que disse estar “projetada especificamente para eliminar a população arménia de Artsakh”.

O Nagorno-Karabakh é um território de maioria étnica arménia que se autoproclamou república independente em 1991, mas que não é reconhecida internacionalmente. Encravado na parte sudoeste do Azerbaijão, o território é considerado de jure deste país, o que tem sido foco de conflitos com a Arménia, que quer ver assegurada a autonomia da população.

 

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