Nagorno-Karabakh: “Não é um conflito religioso”, asseguram líderes da Igreja Ortodoxa Arménia

| 13 Out 20

O míssil que atingiu a catedral de Choucha provocou inúmeros estragos.© EPA / Davit Ghahramanyan / Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arménia

O míssil que atingiu a catedral de Choucha provocou fortes estragos. Foto: © EPA / Davit Ghahramanyan / Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arménia.

 

Pode não parecer, dado que a catedral dos arménios, na cidade de Choucha, no enclave separatista de Nagorno Karabakh (sul do Cáucaso), foi alvo de um míssil na semana passada, mas o conflito na região “não é religioso”, asseguram o patriarca e Catholicos dos Arménios, Karekin II, e o arcebispo da diocese, Pargev Martirosyan.

“Nunca foi um conflito religioso”, afirmou Martirosya, citado pelo Religión Digital. “Nós não combatemos com as mesquitas. Não temos nenhum problema com as pessoas de outras confissões e nunca o tivemos”, explicou o responsável pela diocese de Karabach, onde trabalha desde 1989.

Para o arcebispo, “o coração deste conflito radica na defesa dos direitos mais elementares do homem. As pessoas que viviam no Karabach [soviético] não podiam exercer os seus direitos mais básicos. E levantaram as suas vozes, Sim, somos arménios, queremos conhecer a nossa história, queremos que as nossas igrejas se abram”, destacou, recordando que “durante 60 anos os azerbaijanos proibiram o funcionamento dos templos arménios” e insistindo que “esse era o problema. Aqui não há nenhum conflito religioso entre cristãos e muçulmanos”.

Quanto ao ataque aéreo que visou a Catedral de Cristo Salvador de Choucha, construída originalmente no século XIII, Parguev considera que o objetivo é “minar a moral” do povo, ferindo um dos símbolos da fé cristã e da vitória na primeira guerra, dado que foi ali que a população se dirigiu para rezar quando a cidade foi libertada, em 1992. A mesma igreja tinha sido utilizada pelas forças militares do Azerbaijão como armazém para os sistemas de mísseis.

Também o Patriarca supremo e Catholicos de todos os Arménios, Karekin II, em entrevista à imprensa local referida pelo Vatican News, rejeitou as tentativas de atribuir um cunho religioso ao conflito. “O povo arménio espalhou-se pelo mundo inteiro, a partir da Idade Média, e sobretudo após o genocídio arménio na Turquia Otomana. Muitos países islâmicos estenderam a mão fraterna aos filhos do povo arménio, que sobreviveram ao genocídio, e acolheram-nos. Essas comunidades arménias ainda existem. A nossa Santa Igreja Apostólica Arménia tem dioceses e paróquias em cerca de dez países de maioria muçulmana, onde os filhos e filhas do nosso povo vivem como cidadãos exemplares, contribuindo para a prosperidade das nações e mantendo uma atitude amigável com as autoridades locais”. assinalou.

O Patriarca Karekin destacou também que, desde o início do conflito em Nagorno-Karabakh, “graças à mediação dos patriarcas da Igreja Russa, deu-se início a uma série de encontros trilaterais, com a participação de líderes muçulmanos do Cáucaso e do Catholicos de todos os arménios. Durante tais reuniões, foi sempre colocado em evidência que o conflito em Karabakh não tem raízes religiosas. Foi reiterada ainda a necessidade de uma convivência pacífica e harmoniosa entre as populações cristã e muçulmana da região”. No entanto, “agora, assistimos às constantes tentativas do Presidente do Azerbaijão de atribuir um cunho religioso ao conflito em Karabakh”, acrescentou o Patriarca. “É uma provocação que, infelizmente, pode ter consequências terríveis”.

Choucha, dividida durante muito tempo entre as duas culturas – cristãos da Arménia e muçulmanos do Azerbaijão -, é conhecida por muitos como a “Jerusalém de Nagorno-Karabakh”.

 

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