A casa das Irmãs Franciscanas do Coração de Jesus em Mecuburi, na Arquidiocese de Nampula, foi atacada na madrugada de sábado, dia 8, relata a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) em notícia difundida no seu site no dia 10 de agosto. Na sequência do assalto, duas religiosas quenianas foram violentamente agredidas, assim como o guarda das instalações que teve de ser internado, por “se encontrar em perigo de vida”, segundo escreveu o arcebispo de Nampula, Inácio Saure, em mensagem enviada à Fundação.
O arcebispo Saure acrescentou que, ao contrário do que chegou a ser noticiado nas redes socais, nenhuma irmã terá sido violentada sexualmente, mas sublinhou, no entanto, “que a criminalidade está a aumentar exponencialmente em Nampula e no país em geral”.
O jornalista da AIS corrobora a afirmação do arcebispo, lembrando que “Moçambique tem vindo a registar um aumento da violência, não só como consequência dos ataques terroristas do grupo jihadista Estado Islâmico, ativo essencialmente na província de Cabo Delgado, no Norte do país, mas também por causa da instabilidade vivida após as eleições presidenciais de 2024”.
Como exemplo dessa criminalidade, o jornalista reproduz o relato que a irmã Ofélia Robledo Alvarado fez do assalto à residência das Irmãs Mercedárias do Santíssimo Sacramento, em Pemba, em junho de 2025.
“Um grupo de 18 homens – contou a irmã – entrou na missão, armados com catanas, barras de ferro e armas. Oito invadiram a casa; os outros ficaram do lado de fora, controlando os portões e prendendo os guardas. Ficámos apavoradas ao vê-los entrar nos nossos quartos, exigindo dinheiro e levando tudo o que podiam. Roubaram os nossos computadores, os telemóveis e o pouco dinheiro que tínhamos. Acreditámos que eles iriam incendiar a capela connosco lá dentro…” Mas, felizmente, tal não aconteceu.
Perante toda esta violência, que se calcula ter feito, desde 2017, mais de 6.300 mortos às mãos de grupos jihadistas e mais de 1,2 milhões de deslocados, a Fundação AIS lançou uma campanha de ajuda de emergência para sensibilizar os portugueses para a necessidade do apoio à sobrevivência das famílias deslocadas que forçadas a fugir e a abandonar casas e campos agrícolas vivem agora apenas da caridade. A ajuda a estas famílias – com 45€ é possível alimentar uma família durante 1 mês, afirma a AIS, – e o apoio à Igreja local são as duas prioridades desta ajuda de emergência.






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