Não chega já?

| 13 Jul 2023

bispo Américo Aguiar, fotografado na sede da Fundação JMJ, 1.6.2023.. Foto © António Marujo

Américo Aguiar, fotografado na sede da Fundação JMJ, 1.6.2023.. Foto © António Marujo

 

A organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e o bispo que a coordena receberam no passado dia 11 uma delegação do Chega. Publicou nas redes sociais o acontecimento sem qualquer nota crítica. Permitiu que o líder desse partido descerrasse uma placa comemorativa em algum muro (da desmemória?) das Jornadas.

Não consigo perceber o propósito deste tipo de contactos entre dirigentes partidários e a organização da JMJ, nem do descerrar de placas, nem de declarações irrelevantes e mutuamente oportunistas.

O panorama é desanimador. A Igreja parece inebriada com o momento mediático que julga viver, a ponto de já fazer humor misturando a misericórdia de Deus com umas multazinhas de trânsito. No campo partidário, por outro lado, a experiência religiosa continua pasto de todas as mistificações: liofilizada a questão do foro privado à esquerda, despudoradamente manipulada à direita.

Em todo o caso, o que conheço bem é o discurso populista, securitário e bem pouco inclusivo do partido em causa, a que, regra geral, nem o próprio Papa escapa. “Este Papa tem prestado um mau serviço ao cristianismo”, sublinhava Ventura nas últimas presidenciais.

E, no entanto, ao contrário do que me pareceria razoável, o senhor bispo não “se levantou” nem “partiu apressadamente”… dali para fora.

Permitam-me ser claro: Nada me diz o discurso nem a prática deste partido ou do seu chefe. Quando falam mais alto ou são mal-educados, limito-me a desligar a televisão.

Só gostaria que nem o discurso nem a prática fossem branqueados por uma associação espúria (mas infelizmente consentida) àquele centro da experiência humana que mais vitalmente me interessa.

 

Luís Soares Barbosa é professor na Universidade do Minho e autor de Longos Dias Breve o Medo.

 

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