
António Guterres, durante a reunião do Conselho de Segurança, que ocorreu esta quarta-feira, no tradicional Dia de Solidariedade com o Povo Palestiniano. Foto © UN/Loey Felipe
A ajuda que as agências da ONU estão a dar aos palestinianos da Faixa de Gaza, perante aquilo que o secretário-geral considera uma “gigantesca catástrofe humanitária”, é manifestamente inadequada, porque insuficiente. A advertência chega de António Guterres, e foi proferida em plena reunião do Conselho de Segurança, que ocorreu esta quarta feira, 29, no tradicional Dia de Solidariedade com o Povo Palestiniano.
Guterres congratulou-se, entretanto, com o acordo alcançado por Israel e pelo Hamas, em 22 de novembro, com a intermediação do Qatar, dos Estados Unidos e do Egito, que levou à suspensão da guerra por alguns dias.
Neste momento, segundo contas da BBC, foram já libertados 97 reféns feitos pelo Hamas em 7 de outubro, 70 dos quais mulheres e crianças. A grande maioria foi libertada no quadro do acordo recente que previa que Israel, por sua vez, pusesse em liberdade três palestinianos por cada refém israelita, o que tem sido cumprido.
“É um bom começo, mas, como tenho dito desde o primeiro dia, todos os reféns devem ser libertados imediata e incondicionalmente”, afirmou.
Guterres apelou ainda à abertura de outros postos fronteiriços e à racionalização dos mecanismos de inspeção para permitir o aumento necessário da ajuda vital, considerando que o posto fronteiriço de Rafah, o único em funcionamento, não tem capacidade suficiente, especialmente tendo em conta a lentidão dos procedimentos, para satisfazer estas e outras necessidades.
A resolução do Conselho de Segurança de 15 de novembro último “apela a todas as partes”, em nome do “fim do sofrimento e do restabelecimento da esperança e da dignidade”, a que se “abstenham de privar a população civil da Faixa de Gaza dos serviços básicos e da assistência humanitária indispensável à sua sobrevivência, em conformidade com o direito humanitário internacional”. Isso inclui “o restabelecimento total dos serviços de água e eletricidade e a resolução urgente do problema do colapso dos sistemas alimentares e da deterioração da saúde pública”.
Para a ONU, no entanto, a ajuda humanitária por si só não será suficiente: “o setor privado é necessário para trazer produtos básicos essenciais para reabastecer as lojas completamente esgotadas”, afirmou o seu secretário-geral.
“O povo de Gaza está no meio de uma catástrofe humanitária épica perante os olhos do mundo”, afirmou. “Não devemos desviar o olhar”.
Nos últimos dias, tem havido um “vislumbre de esperança e humanidade” para os reféns e suas famílias, e para os civis em Gaza, durante o cessar-fogo, disse Guterres. No mesmo dia, porém, em declarações em Tel-Aviv, o chefe do governo israelita garantia que a guerra vai continuar.









