Reações ao Sínodo

“Não há como voltar atrás” quanto ao papel das mulheres, mas é preciso avançar mais

| 30 Out 2023

Marcha pela ordenação de mulheres, Roma, outubro 2023. Foto WOC

A Conferência pela Ordenação das Mulheres está  “consternada com o fracasso do Sínodo em levar a sério os apelos esmagadores para abrir todos os ministérios ordenados às mulheres”. Foto © WOC.

 

O documento que sintetiza os trabalhos da primeira sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo “parece refletir um reconhecimento das feridas que as mulheres sofreram nas mãos da Igreja, mas não consegue envolver-se substancialmente na cura dessas feridas, optando, em vez disso, por deixar essas questões para cada vez mais estudos e comissões”, lamenta a Women’s Ordination Conference (WOC, ou Conferência pela Ordenação de Mulheres), em reação ao texto publicado no passado sábado pelo Vaticano.

Por um lado, a organização – fundada em 1975 nos EUA – apoia o facto de 54 mulheres terem podido, pela primeira vez, votar “ao lado dos seus contemporâneos do sexo masculino” e também “as formas como  necessidade de uma maior participação das mulheres na vida pastoral e governo da Igreja foram delineadas no documento final”.

Mas, por outro lado, diz estar “consternada com o fracasso do Sínodo em levar a sério os apelos esmagadores para abrir todos os ministérios ordenados às mulheres”, e com o “tratamento superficial do documento sobre a injustiça da desigualdade de mais de metade dos membros da Igreja”.

Em comunicado enviado ao 7MARGENS, a WOC defende que “para que o processo sinodal retenha qualquer credibilidade, será necessário levar a sério a plena igualdade das mulheres e das pessoas LGBTQ+ em todos os aspectos da vida da Igreja”.

Assim, de modo a garantir que “as vozes, experiências e vocações das mulheres não sejam ainda mais apagadas no processo sinodal”, a Conferência pela Ordenação de Mulheres apela a todos os apoiantes desta causa que se façam “ainda mais visíveis”.

“Continuaremos a trabalhar pela responsabilização perante as bases e a ser uma voz intransigente para a inclusão equitativa das mulheres em todos os níveis da Igreja. Já vimos mulheres votarem nos corredores do Vaticano – não há como voltar atrás”, conclui a organização no seu comunicado.

 

Silêncio sobre o aborto

“Embora o Sínodo tenha terminado (pelo menos este ano), o nosso trabalho está longe de terminar”, concorda a organização feminista norte-americana Catholics for Choice (Católicos pela Escolha), num comunicado igualmente enviado ao 7MARGENS após a publicação da síntese.

Até porque, além de pedir “igualdade das mulheres, ordenação de mulheres ao sacerdócio, justiça para pessoas LGBTQI e justiça para vítimas de abuso sexual”, esta ONG defendia que a assembleia tivesse falado “aberta e honestamente sobre o aborto”, reconhecendo “as suas complexidades morais” e ouvindo “a sabedoria de muitos fiéis católicos que fizeram abortos”. E lamenta que tal não tenha acontecido.

“O silêncio do Sínodo sobre o aborto – que afeta a vida de muito mais católicos do que qualquer uma destas outras questões urgentes – mostra quão difundido o estigma do aborto permanece na nossa Igreja”, escreve a Catholics for Choice.

Ainda assim, reconhece: “pela primeira vez na era moderna, a Igreja Católica manteve conversas sobre temas anteriormente tabus, como a ordenação de mulheres, o reconhecimento das relações das pessoas LGBTQIA+ e o repensar das estruturas de poder da Igreja”. E considera que isto, “para uma organização tão historicamente impermeável à mudança, é simplesmente notável”.

 

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