“Não hesitem” – Católicos alemães pedem aos bispos reformas na Igreja

| 3 Fev 19 | Destaque 2, Igreja Católica, Últimas

Uma das sessões do Concílio Vaticano II (1962-65), que encetou um processo de reforma da Igreja

 

Em carta dirigida ao cardeal Reinhard Marx, bispo de Munique e presidente da Conferência Episcopal Alemã, publicada no jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung neste domingo, 3 de fevereiro, um grupo de nove conhecidas personalidades católicas da Alemanha, entre as quais vários teólogos, exige reformas corajosas na Igreja Católica. “Não hesitem!”, dizem aos bispos. 

Que o sacramento da ordem seja aberto às mulheres; que seja abolido o celibato obrigatório dos padres diocesanos; que se reveja a moral sexual da Igreja, nomeadamente no que diz respeito à homossexualidade; e que os abusos sexuais sobre menores sejam encarados também como um problema sistémico (do sistema e não apenas como falta individual) – são os principais pontos deste apelo.

Os subscritores temem que, mesmo depois da publicitação dos escândalos da pedofilia, tudo fique na mesma, e que, assim, a credibilidade da hierarquia católica e da Igreja no seu conjunto seja cada vez mais reduzida. Entre os assinantes da carta está o jesuíta Klaus Mertes, que em 2010 fez a primeira denúncia pública de abusos nas instituições eclesiais e assim desencadeou uma enorme bola de neve.

“Os católicos empenhados na Igreja alemã na sua maioria não apoiam mais a ordem pré-moderna da Igreja. Suportam-na apenas”, escrevem. E acrescentam: “Fazemos este apelo aos nossos bispos: façam confiança no senso comum dos fiéis e retribuam à Igreja veracidade e abertura, sem as quais o Evangelho não pode respirar!” E seguem-se as exigências acima referidas.

A carta vem a propósito do encontro do Papa Francisco com os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, convocado para 21 de fevereiro, para debater a questão dos abusos sexuais por parte de membros do clero.

Entre os subscritores da carta conta-se também o reitor da Escola Superior de Teologia dos Jesuítas em Frankfurt, Ansgar Wucherpfennig, a quem o Vaticano quis recusar a “missio canonica” (autorização para ensinar teologia) devido às suas tomadas de posição públicas no sentido de uma revisão de atitude da teologia moral face à homossexualidade. Só um vasto protesto e a solidariedade de muitos colegas e alguns bispos fez retroceder o Vaticano.

“O senhor presidente (da Conferência Episcopal) pode contar connosco. Os bispos podem contar connosco. Se se colocar à frente de um movimento de reforma, tem-nos consigo! Nós contamos com os bispos. Deles tudo depende! Não hesitem!”

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