“Não queremos que vivam aqui cristãos.” Cresce a violência contra as minorias religiosas no Paquistão

| 8 Jul 20

Paquistão. Foto © ACN Portugal

 

“Todas as pessoas que moram nesta rua são muçulmanas e não querem que vivam aqui cristãos.” Foi com estas palavras que a família de Nadeem Joseph foi recebida ao mudar-se para um bairro de Peshawar, uma das principais cidades do Paquistão, no início de junho. Alguns dias depois, Nadeem foi atacado e baleado à porta da sua nova casa por um vizinho, tendo acabado por morrer no passado dia 29. Os bispos católicos do país pedem agora proteção para esta família e alertam para o aumento da discriminação das minorias religiosas no país, apelando ao Governo que faça cumprir a constituição.

“A sociedade paquistanesa tornou-se cada vez mais intolerante e viver como uma minoria religiosa é cada vez mais difícil. Há muitos incidentes similares que não são denunciados”, afirma a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), organismo pertencente à Conferência Episcopal Paquistanesa, num comunicado citado esta quarta-feira, 8 de julho, pela agência Fides.

“A família de Nadeem vive com grandes dificuldades e em perigo depois deste ataque. O governo deve garantir-lhes a segurança e proteção, tanto a eles como a todas as minorias religiosas”, sublinhou o arcebispo Joseph Arshad, presidente da CNJP.

A comissão assinalou a discriminação de que as minorias religiosas têm sido alvo, particularmente no contexto da pandemia, citando as recusas em doar alimentos ou proporcionar outro tipo de ajudas aos não-muçulmanos.

De acordo com a CNJP, o recente bloqueio da construção de um templo hindu em Islamabad é mais um exemplo da crescente discriminação religiosa. “Esta ação reflete a falta de aceitação das minorias religiosas que são parte deste país desde há séculos”, acusa Emmanuel Yousaf, diretor da comissão. “O governo deve trabalhar para salvaguardar os direitos das minorias religiosas no Paquistão consagrados na nossa Constituição.”

Também em declarações à Fides, o ativista cristão de direitos humanos Sabir Michael reforçou a mensagem.“Deve-se notar com preocupação que episódios semelhantes de ataques às comunidades mais vulneráveis ​​estão a aumentar. O Governo deve levar isso a sério.”

No passado mês de fevereiro, um jovem foi torturado e acabou por morrer, depois de ter sido encontrado por um grupo de muçulmanos a tomar banho no tanque de uma pequena localidade agrícola na província de Punjab. De acordo com os meios de comunicação locais, Saleem Masih, de 22 anos, tinha estado a descarregar palha no campo e foi lavar-se, mas o grupo obrigou-o a sair do tanque e começou a espancá-lo, acusando-o de “poluir” a água por ser “um cristão imundo”.

 

Artigos relacionados

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

Sondagem

Brasil deixa de ter maioria católica 

Algures durante este ano a maioria da população brasileira deixará de se afirmar maioritariamente como católica. Em janeiro de 2020, 51% dos brasileiros eram católicos, muito à frente dos que se reconheciam no protestantismo (31%). Ano e meio depois os números serão outros.

Investigação

Quem traiu Anne Frank?

Quem traiu Anne Frank, a autoria do conhecido Diário, e a sua família? Uma equipa que se entregou à tarefa de investigar acredita ter encontrado a chave do mistério. Mas trata-se de “um cenário provável”, sem certezas absolutas.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

É notícia

Entre margens

“A longa viagem começa por um passo”, recriemos… novidade

Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

A roseira que defende a vinha: ainda a eutanásia

Há tempos, numa visita a uma adega nacional conhecida, em turismo, ouvi uma curiosa explicação da nossa guia que me relembrou imediatamente da vida de fé e das questões dos tempos modernos. Dizia-nos a guia que é hábito encontrar roseiras ao redor das vinhas como salvaguarda: quando os vitivinicultores encontravam algum tipo de doença nas roseiras, algum fungo, sabiam que era hora de proteger a vinha, de a tratar, porque a doença estava próxima.

Esta é a Igreja que eu amo!

Fui um dos que, convictamente e pelo amor que tenho à Igreja Católica, subscrevi a carta que 276 católicas e católicos dirigiram ao episcopado português para que, em consonância e decididamente, tomassem “a iniciativa de organizar uma investigação independente sobre os crimes de abuso sexual na Igreja”.

Cultura e artes

Crónicas portuguesas dos anos 80

As causas que sobrevivem às coisas

O Portugal de A Causa das Coisas e de Os Meus Problemas, publicados nos anos 80, fazem sentido neste século XXI? Miguel Esteves Cardoso ainda nos diz quem e o que somos nós? Haverá coisas que hoje se estranham, nomes fora de tempo, outras que já desapareceram ou caíram em desuso. Já as causas permanecem. Pretexto para uma revisitação a crónicas imperdíveis, agora reeditadas.

Carta a Filémon

A liberdade enquanto caminho espiritual

A Epístola a Filémon – um dos mais pequenos escritos do Novo Testamento – constitui o estímulo e o contexto para uma bela reflexão sobre a vivência da liberdade enquanto caminho espiritual. Adrien Candiard – dominicano francês a residir na cidade do Cairo – consegue em breves páginas apresentar um exercício de leitura rico e incisivo sobre a qualidade da vida cristã, mantendo um tom coloquial próprio do contexto de pequenos grupos nos quais este livro encontrou a sua origem.

O filme de Almodóvar

As dores para dar à luz a verdade

Fique dito, desde já, que estamos perante um dos melhores e mais amadurecidos filmes de Almodóvar. Intenso como outros, magnificamente construído e filmado como é habitual, talvez mais profundamente moral do que muitos, Mães Paralelas é um filme tecido de segredos íntimos e dolorosos, à volta da maternidade, mas também da Guerra Civil espanhola. No centro, esplendorosa, está Penélope Cruz.

Sete Partidas

Ser pai no inverno da Estónia

Estou a viver na Estónia há oito anos e fui pai recentemente. Vim para aqui estudar e, como acontece a muitos outros portugueses espalhados por esse mundo, apaixonei-me por uma mulher deste país, arranjei trabalho, casei e o mais recente capítulo da minha história é o nascimento do meu filho, no mês de dezembro de 2021.

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

[ai1ec view=”agenda” events_limit=”3″]

Ver todas as datas

Parceiros

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This