Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo quinto depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Digo que não acho interesse na velhice porque não mereço ser tratada como estou a ver tratarem os velhos de hoje.” Foto © Centre for Ageing Better / Unsplash (trabalhada)
Heloísa, 58 anos
Não quero envelhecer…Não acho interesse na velhice. Não preciso de chegar a velha.
Neste momento não faz sentido ser velho. O abandono é absoluto. É um fardo, é um peso.
Considero que não é atribuído valor aos velhos. Sinto que em todo o lado os velhos são postos de lado, maltratados… desprezados.
Na minha geração não há tempo para preparar a reforma.
Nos modelos de Lar existe o pânico em envelhecer.
Estou marcada pelo que vejo à minha volta. Quando digo que não quero envelhecer é porque não gostaria de ser tratada como vejo os velhos serem tratados. Ainda por cima conheço gente com bastante idade que são um grande exemplo para nós: um saber sempre disposto a partilhar, uma boa disposição que teimam em manter, apesar das limitações e dores físicas…
Digo que não acho interesse na velhice porque não mereço ser tratada como estou a ver tratarem os velhos de hoje.
Viver sem consideração, sem que a minha palavra conte, sem que as minhas ideias possam ao menos contar como mais umas…não contem comigo para arrastar-me assim.










