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Putin e o patriarca Cirilo, no Kremlin, em novembro de 2021. Kremlin.ru, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons.

Ortodoxos e muçulmanos em socorro de Putin

“Não temam a morte, vão combater!”, diz Patriarca Cirilo aos reservistas

| 23/09/2022

Putin e o patriarca Cirilo, no Kremlin, em novembro de 2021. Kremlin.ru, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons.

Putin e Cirilo, no Kremlin, em novembro de 2021: o Patriarca apoiou claramente a mobilização de reservistas. Kremlin.ru, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

 

O 7MARGENS corrigiu esta notícia aqui. As declarações do patriarca Cirilo, que vários meios nacionais e internacionais ligaram à recente mobilização decretada pelo presidente Putin, tinham sido feitas em 2021. O 7MARGENS foi induzido em erro e pede desculpas aos leitores por os ter induzido também em erro.

 

Uma pessoa de “verdadeira fé” não verga ao medo da morte e deve ir combater. A mensagem é do Patriarca Cirilo, líder da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) e foi proferida durante um sermão no Mosteiro Zachatyevsky, em Moscovo, na última quarta-feira, 21 de setembro.

O Patriarca voltou, deste modo, a reiterar o apoio que vem dando ao Presidente Putin e à sua guerra na Ucrânia, desde que ordenou às Forças Armadas que invadissem o país vizinho, em fevereiro deste ano. Trata-se, agora, de contrariar e combater os movimentos de contestação e de deserção, que se desencadearam depois do discurso de mobilização parcial, feito esta semana pelo Presidente da Federação Russa.

“Vão corajosamente cumprir o vosso dever militar. E lembrem-se de que, se derem a vida pelo vosso país, estarão com Deus no seu reino, glória e vida eterna”, disse Cirilo, citado pela revista Newsweek.

O líder ortodoxo observou também que “o medo da morte afasta um guerreiro do campo de batalha, empurra os fracos para a traição e até para se rebelarem contra os seus irmãos. Mas a verdadeira fé destrói o medo da morte.”

Por sua vez, no campo muçulmano, o Mufti Supremo da Federação Russa, Talgat Tadzhuddin, que chefia o Diretório Espiritual Muçulmano Central, pediu aos cidadãos russos que apoiem a mobilização militar decretada por Vladimir Putin, num discurso proferido na última quinta-feira, na sessão plenária da XIV Conferência Científica e Prática Internacional sobre “Ideais e valores das tradições abraâmicas: unidade de mensagens – diálogo e cooperação”, em Ufa.

Como se pode ler num despacho da agência Interfax, aquele responsável afirmou que a decisão de apoiar as ações do líder da Federação foi tomada num “plenário urgente” do presidium do Diretório Central, cujos membros entenderam pedir aos compatriotas que cumpram “imediatamente todas as ordens do comandante supremo”.

Na intervenção em Ufa, o líder muçulmano apelou a que não haja recurso a armas nucleares, nesta guerra. “Não vai funcionar”, até porque “eles também têm”, disse, em referência a esse tipo de armamento. “Os verdadeiros judeus, os nossos compatriotas e irmãos ortodoxos, não só na Rússia, mas em todo o mundo, e nós, muçulmanos, devemos – como é necessário e como Deus manda – unir esforços para que o fogo da guerra não se inflame na terra”, enfatizou o Mufti Supremo.

Recorde-se que em declarações em abril passado, na Sky News Arabia, dos Emiratos Árabes Unidos, Tadzhuddin assumiu que a guerra na Ucrânia é uma “jihad [guerra santa] para os muçulmanos lutarem ao lado da Rússia”, e que “qualquer muçulmano que morra neste combate é um mártir”.

Na altura, o mesmo responsável explicou que o Diretório Central “emitiu uma fatwa [decreto] sobre este assunto” e deu exemplos de vitórias russas anteriores sobre os nazis e as potências ocidentais.

 

(Notícia acrescentada com uma nota inicial no dia 25/9 às 23h)

 

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