Estudo

Natalidade em Portugal nas últimas décadas: retrato de um descalabro

| 1 Set 21

maos bebe e idoso envelhecimento, foto angela dukat

Em 2007, houve, pela primeira vez, mais óbitos do que nascimentos, situação que se tem mantido até hoje. Foto © Angela Dukat.

 

A natalidade de vários países do sul da Europa, entre os quais Portugal, parece ter registado um decréscimo associado à primeira vaga da pandemia, mesmo contando com a tendência de declínio que já vinha de trás, segundo o estudo de uma universidade italiana, citado esta terça-feira, 31 de agosto, pelo Diário de Notícias.

A redução foi calculada em 6,6 por cento em Portugal, 8,4 em Espanha e 9,1 em Itália, registando-se também noutros países europeus, de forma menos vincada.

Portugal tem conhecido um declínio praticamente constante e acentuado desde os anos 60 do século passado, altura em que os nascimentos andavam acima dos 200 mil por ano. Segundo informação recentemente divulgada pela Pordata, com base em dados do INE, a descida passou abaixo dos 100 mil em 2011, num período de acentuada crise económico-social, e nunca mais voltou a subir para lá dessa marca. Em 2007, houve, pela primeira vez, mais óbitos do que nascimentos, situação que se tem mantido até hoje.

O número de filhos por mulher passou de 3,2 em 1960 para menos de metade (1,4) em 2018. Há 60 anos, a idade média da mãe, quando dava à luz o primeiro filho, andava em torno dos 25 anos. Esse valor foi subindo lentamente, situando-se neste momento ligeiramente acima dos 30. A este processo não será alheia a crescente profissionalização das mulheres (59 por cento em 1995, contra 69 por cento em 2018) e o número crescente das que têm qualificações de nível superior (de 11 para 38 por cento, no mesmo período).

As mudanças na estrutura da família também se fazem sentir no contexto de nascimento dos bebés. Segundo os dados do INE trabalhados pela Pordata, em 1960, 9 por cento dos bebés que nasceram eram filhos de pais não casados. Em 2018, o valor era mais de seis vezes superior, passando para 56 por cento, dos quais cerca de um terço eram pais que não viviam juntos.

Dos 85 mil partos realizados em Portugal em 2018, dois terços tiveram lugar em hospitais públicos e cerca de 73 mil (86 por cento) foram partos naturais. Dos 12.366 partos por cesariana, dois em cada três realizaram-se nas instituições privadas, segundo a mesma fonte.

 

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