Navio de resgate apoiado pela Igreja Protestante prestes a partir para o Mediterrâneo

| 12 Ago 20

navio resgate sea watch, Foto_ Seawatch.org

Decorreram nos últimos dias os treinos e exercícios a bordo do Sea Watch 4. Foto: Seawatch.org.

 

Chegaram esta terça-feira, 11 de agosto, ao navio de resgate de migrantes Sea Watch 4 os últimos membros da tripulação. Os treinos e exercícios já começaram, e ainda esta semana será dada a partida do porto de Burriana (Valencia, Espanha) para o centro do Mediterrâneo, numa missão tornada possível devido à iniciativa da Igreja Protestante Alemã e ao apoio de mais de 500 organizações que participaram na campanha de recolha de fundos (crowdfunding) #WirSchickenEinSchiff (“Nós enviamos um navio”).

O novo navio foi comprado por 1,3 milhões de euros com o apoio financeiro de uma aliança de cidadãos, United 4 Rescue, fundada pela Igreja Protestante na Alemanha. “Juntámos todas as instituições sociais e grupos que não querem ficar de braços cruzados a ver milhares de pessoas a morrer no Mediterrâneo”, explica a organização no seu site. “Com a recolha de donativos, apoiamos as organizações de resgate que atuam humanitariamente onde os políticos falham”.

O projeto tinha já sido apresentado em fevereiro, numa cerimónia que decorreu na cidade portuária alemã de Kiel, e que contou com a presença de políticos, voluntários e líderes religiosos. “Não deixamos nem um ser humano afogar-se. Ponto final”, afirmou na altura o bispo Heinrich Bedford-Strohm, responsável máximo da Igreja Protestante no país, citado pelo The Guardian. “Este navio tem de partir, porque os Estados europeus não querem, nem planeiam, resgatar pessoas no Mediterrâneo”.

A partida do Sea Watch 4 deveria ter acontecido em abril passado, mas a pandemia de covid-19 atrasou os preparativos, obrigando a tripulação a adiar a sua missão, que terá início esta semana, numa altura em que não existe nenhum navio de resgate no Mediterrâneo.

“O Sea Watch 4 é desesperadamente necessário, com os diversos naufrágios das últimas semanas e nenhum barco de resgate a sobrar no Mediterrâneo Central”, afirmou Mattea Weihe, porta-voz da missão. “No entanto, este navio não é apenas um objeto de salvamento, mas também uma forte declaração contra a política mortífera da Europa.  É um enorme sinal de solidariedade de 60,8 metros, enviado por mais de 500 organizações da sociedade civil, com a igreja na primeira fila. Demonstra que a sociedade civil, na Europa, discorda do facto de os governos optarem por permitir que as pessoas se afoguem, em vez de permitir que cheguem às costas europeias”.

 

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