Negar a comunhão a Biden? Vaticano coloca aos bispos uma fasquia muito alta

| 11 Mai 21

Presidente Joe Biden, e a vice-presidente Kamala Harris, numa conferência de imprensa em 10 de fevereiro de 2021, no Pentágono. Foto © Adam Schultz/The White House (https://www.flickr.com/photos/191819781@N02/50970122153/, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=100230705).

Será que a Igreja Católica deve negar a comunhão ao presidente Joe Biden, quando ele vai participar na eucaristia, por causa das suas posições pró-escolha sobre o aborto? Esta é a questão que a presidência da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos (USCCB) se preparava para debater e decidir, na reunião deste órgão do próximo mês de junho. Uma carta do Vaticano, datada de sexta-feira, dia 7, caiu sobre a pretensão como um duche de água fria. 

A carta, conhecida pela Catholic News Agency e divulgada pela revista America, dos Jesuítas norteamericanos, surgiu em resposta a uma outra carta de março passado, do presidente da USCCB, o arcebispo José H. Gomez, de Los Angeles, na qual informava a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) que os bispos iriam debater a situação dos políticos católicos com posições contrárias à doutrina da Igreja quanto a poderem receber a comunhão. Invocavam mesmo uma consulta análoga, feita à mesma Congregação, então sob a liderança do cardeal Ratzinger, em 2004. 

O prefeito da CDF, cardeal Ladaria, começa por subvalorizar a resposta então dada por Ratzinger, observando que se tratou de uma comunicação pessoal do então prefeito, que não era destinada a ser publicadas, ainda que possa, agora, ser útil na ajuda à preparação do documento que os bispos pretendem elaborar. Em contrapartida, faz notar que o documento doutrinal de referência, neste caso, deve ser a nota da CDF de 2002, intitulada “Sobre algumas questões respeitantes à participação dos católicos na vida política”.

O cardeal recorda, por outro lado, que o que estava em causa, em 2004, não era a elaboração de um documento coletivo de orientações, mas saber como lidar com a situação por parte de cada bispo localmente.

A resposta ao arcebispo Gomez aponta para a necessidade de a Conferência Episcopal promover um trabalho cuidadoso em duas etapas, que certamente implica bastante tempo e que frustará quem pretendia resolver o problema já no próximo mês.

Assim, o cardeal Ladaria aponta que os bispos dos Estados Unidos precisam de um “diálogo amplo e sereno” numa primeira fase, entre si e, a seguir, nas respetivas dioceses, entre os bispos e os políticos católicos que não apoiam em plenitude o ensino da Igreja. Este diálogo com os políticos, governantes e legisladores, destina-se a compreender “a natureza da suas posições e o modo como entendem o ensino católico”.

Somente depois de ambos os processos de diálogo, segundo o cardeal, a conferência dos bispos “enfrentaria a difícil tarefa de discernir o melhor caminho a seguir para a Igreja nos Estados Unidos testemunhar a grave responsabilidade moral dos funcionários públicos católicos de proteger a vida humana em todas as suas etapas”.

Ainda assim, segundo a Congregação vaticana, se fosse decidido formular uma orientação nacional sobre este assunto, ela deveria “expressar um verdadeiro consenso dos bispos sobre a matéria” e ao mesmo tempo “observar o pré-requisito de que quaisquer disposições da Conferência Episcopal nesta matéria respeitariam os direitos de cada bispo na respetiva diocese, bem como as prerrogativas da Santa Sé”.

Reprodução de parte da carta da congregação do Vaticano.


Aborto e eutanásia não são as únicas matérias graves no campo moral

O cardeal Ladaria advertiu que sem a unanimidade dos bispos, uma orientação nacional, “dada sua natureza possivelmente contenciosa”, poderia “tornar-se uma fonte de discórdia, em vez de unidade, dentro do episcopado e da Igreja dos Estados Unidos no seu conjunto”.

Tendo em conta a importância desta matéria, que terá certamente repercussões noutras zonas do mundo, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, defende ainda que “todo esforço deve ser feito para dialogar com outras conferências episcopais, no processo de formulação destas orientações, a fim de se aprender uns com os outros e preservar unidade na igreja universal. ”

O responsável do Vaticano termina com uma chamada de atenção: “Seria enganador se uma tal declaração viesse a dar a impressão de que o aborto e a eutanásia constituem as únicas matérias graves da doutrina moral e social católica a requererem a mais alta prestação de contas da parte dos católicos”.

 

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