
Maduro disponível para falar com oposição, o que não acontece na Nicarágua. Foto: Jamez42, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Na América Latina, em dois países que vivem uma crise política prolongada, os próximos caminhos parecem divergir. Na Venezuela, há uma ténue luz de diálogo no fundo do túnel, mas na Nicarágua, a resposta a quem está na oposição é a perseguição.
Venezuela: regime de Maduro e oposição prestes a iniciar diálogo
O governo de Nicolas Maduro e os partidos da oposição têm previstas negociações a partir desta sexta-feira, 13 de agosto, contando para tal com a mediação do México e da Noruega.
Nos últimos dias decorriam as etapas finais com vista à abertura desse diálogo, que já ocorreu em 2018 e 2019 sem resultados.
A oposição coloca sobre a mesa, com caráter prioritário, a realização de “eleições livres e transparentes”. Maduro, por sua vez, pretende conseguir que os Estados Unidos da América levantem as sanções e a que a comunidade internacional reconheça o seu governo.
As negociações, se se confirmarem, decorrerão no México, um país aceite pelas duas partes, mas nelas não participará o líder oposicionista Juan Guaidó, uma condição colocada por Nicolàs Maduro.
Politólogos ouvidos pela agência alemã Deutshe Welle colocaram poucas esperanças nos resultados destes encontros, ainda que admitindo que o diálogo pode ser útil.
Nicarágua: denunciada a “onda de perseguições” contra a oposição
A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Manágua, Nicarágua, denunciou a “violação sistemática dos direitos políticos e constitucionais” no processo eleitoral para as eleições presidenciais de novembro.
Em comunicado divulgado nas redes sociais na última terça-feira, a Comissão considerou como “grave” a atual situação política no país, nos últimos meses, “após uma onda de perseguições que o regime de Daniel Ortega instigou contra membros da oposição”, incluindo sete candidatos à Presidência da República, além de outros políticos e jornalistas.
Segundo a mesma fonte, há “ameaças contra a Igreja Católica, insultos aos seus padres e bispos, restrições de visto e residência para padres estrangeiros, perseguição contra paroquianos e outras medidas ilegais e intimidadoras”. Desta forma, “o povo nicaraguense, que tem o direito de escolher diferentes opções políticas, “estará impedido de expressar livremente as suas preferências”, quando for chamado às urnas.
A Comissão Justiça e Paz da capital da Nicarágua refere existir um clima de “medo”, a que se junta o desemprego e a incerteza sobre o futuro do país que tem levado a uma “nova onda de emigração, que atinge principalmente os jovens”.










