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Magnus MacFarlane-Barrow, CEO da Mary's Meals, fotografado na Etiópia. Armstrong Studios 2024

Magnus MacFarlane-Barrow, fundador da Mary's Meals

“Nenhum de nós é impotente perante a fome no mundo. Todos podemos escolher alimentar pelo menos uma criança faminta”

| 28/02/2025

O seu nome ainda é desconhecido para muitos — e é preciso enrolar a língua para pronunciá-lo — mas sem dúvida que merece ser memorizado, porque Magnus MacFarlane-Barrow, 57 anos, é o principal responsável pelo facto de 2,4 milhões de crianças a viver em alguns dos países mais pobres do mundo não terem passado fome hoje. E por não irem passar fome em nenhum dos dias que forem à escola. Nesta conversa com o 7MARGENS, a partir da Escócia, o antigo piscicultor de salmão conta como deixou tudo para se dedicar a ajudar os outros e fundou a Mary’s Meals (que em português poderia traduzir-se para Refeições de Maria). Uma organização que se baseia numa “ideia muito simples”: servir diariamente às crianças, no seu local de aprendizagem, uma refeição nutritiva. Enquanto recuava até 1983 — data em que foi pela primeira vez a Međugorje numa peregrinação que o fez renovar a sua fé católica — Magnus assinalou um pormenor curioso. É que o local onde deu esta entrevista (através de videochamada) serviu, algum tempo depois dessa peregrinação, como armazém para guardar os primeiros alimentos que levou até aos campos de refugiados que então havia na Bósnia-Herzegovina. É neste pequeno barracão construído no terreno da casa dos seus pais, localizada na pequena aldeia de Dalmally, que hoje faz questão de manter o seu escritório e a sede global da Mary’s Meals. Pequena não é a sua missão, mas também não é uma missão impossível, diz. E todos — garante — podem ajudá-lo a cumpri-la. Ler esta entrevista talvez seja o primeiro passo.

 

7MARGENS – Sei que já contou esta história centenas de vezes, mas a verdade é que, em Portugal, muitas pessoas ainda não conhecem a Mary’s Meals… Por isso peço-lhe que nos conte também a nós: o que é e como nasceu esta organização?

Magnus MacFarlane-Barrow – Sem problema, é uma história que não me canso de contar! Na verdade, a história da Mary’s Meals divide-se em duas partes. A primeira remonta a 1992, altura em que a guerra na ex-Jugoslávia estava no auge. Eu e o meu irmão acompanhávamos as notícias do que lá se passava com muito interesse, porque tínhamos ido a Međugorje nove anos antes e essa peregrinação havia renovado a nossa fé católica e transformado a vida da nossa família (para ter uma ideia, por causa dessa peregrinação, os meus pais decidiram transformar a pequena quinta onde vivíamos num centro de retiros)… E penso que, por causa disso, sentíamo-nos particularmente tocados com o que se passava naquela região e impelidos a fazer alguma coisa para ajudar a população afetada. Então, decidimos tirar uma semana de férias do trabalho – éramos ambos pescadores de salmão – pedimos às pessoas que doassem alimentos e roupas, e fomos num jipe emprestado entregar tudo a um campo de refugiados na Bósnia-Herzegovina. Depois, voltámos para casa, e eu achava que já tinha feito a minha parte e que iria a regressar ao meu trabalho normal…

Magnus e o irmão a caminho da Bósnia, em 1992. Foto Mary's Meals

Magnus e o irmão a caminho da Bósnia-Herzegovina, em 1992, naquela que seria a primeira de muitas viagens para levar ajuda aos mais necessitados. Foto © Mary’s Meals

7M – Mas estava completamente enganado!

Pois, porque quando cheguei a casa percebi que as pessoas tinham continuado a doar coisas… e o sítio onde agora eu estou sentado a dar esta entrevista, que é um pequeno barracão que já então havia na casa dos meus pais para servir de zona de arrumos, estava a abarrotar!

 

7M – O que fez então?

Pensei e rezei muito sobre isso, e acabei por decidir deixar o meu emprego, vender a casa onde vivia, sozinho, junto à exploração de salmão, e continuar a levar ajuda aos refugiados na Bósnia. Entretanto, um benfeitor deu-me um camião e comecei a andar sempre para trás e para a frente. Disse a Deus: “enquanto houver necessidade e as pessoas continuarem a doar, isto é o que eu farei”. Mesmo assim, achava que seria apenas por uns meses, só que as pessoas continuavam a doar, e cada vez mais! Fui e voltei 23 vezes, e numa dessas viagens conheci aquela que é hoje a minha mulher: ela era enfermeira e também tinha deixado o seu emprego para ajudar. Revezávamo-nos a conduzir o camião – ela conduzia muito melhor do que eu [risos] – e decidimos fundar uma instituição de caridade, a que chamámos Scottish International Relief.

Magnus e a esposa Julie traçam a rota para mais uma entrega de ajuda humanitária na Bósnia.

Magnus e a então namorada Julie traçam a rota para mais uma entrega de ajuda humanitária. Foto © Mary’s Meals

7M – Essa organização foi a precursora da Mary’s Meals.

Exatamente. Durante dez anos, trabalhámos sob o nome Scottish International Relief e começámos a levar ajuda também a outros locais, além da antiga Jugoslávia. Por exemplo, na Roménia, construímos casas para crianças que tinham sido abandonadas nos hospitais, também trabalhámos com crianças de rua no Peru e na Colômbia, prestámos apoio aos refugiados que regressavam à Libéria… Não tínhamos um foco específico, íamos aonde nos pediam – a maior parte das vezes pessoas da Igreja, missionários católicos – e onde pensávamos que poderíamos fazer algo para ajudar.

Até que, em 2002 – um ano de fome terrível no Sul de África, e especialmente no Malawi – fomos para lá. E pela primeira vez trabalhámos na alimentação de emergência. É aqui que começa a segunda parte da história… Um dia, fui com um padre missionário visitar as pessoas doentes e numa das aldeias conheci esta família: o pai tinha acabado de morrer e a mãe, que se chamava Emma, também estava a morrer, com sida. Quando chegámos, ela estava no chão, com os seis filhos à sua volta, e disse: “Sabem, não me resta mais nada exceto rezar para que alguém cuide dos meus filhos quando eu partir…”. Foi então que comecei a falar com o filho mais velho dela, que se chamava Edward e tinha 14 anos, e a dada altura perguntei-lhe: “O que é que mais desejas? Qual é o teu sonho?”. E ele respondeu: “Gostava de ter comida suficiente para comer e um dia ir à escola”.

Nesse momento, tomei consciência de que existiam milhões de crianças assim, a sofrer devido à pobreza e à fome, que não iam à escola, porque tinham de trabalhar ou pedir esmola, ou fazer o que fosse necessário para sobreviver. E assim perdiam o direito à educação, que seria a única forma possível de escaparem à pobreza. E foi isso que me levou a este conceito da Mary’s Meals, que consiste em servir todos os dias uma refeição às crianças na escola que elas frequentem, para que isso seja uma forma de as capacitar.

Emma e os seis filhos, incluindo Edward. Foto Mary's Meals

Emma e os seis filhos, incluindo Edward, o menino de 14 anos com quem Magnus conversou e que o ajudou a descobrir a missão da Mary’s Meals. Foto © Mary’s Meals

7M – A primeira escola onde implementaram esta ideia foi precisamente no Malawi, logo nesse ano.

Sim, partilhámos a ideia com a comunidade local e mostrámos que, para avançar, era essencial contar com a ajuda de todos: iríamos adquirir os produtos necessários aos agricultores locais, mas seriam precisas pessoas para cozinhar, para servir a comida… e imediatamente houve quem se voluntariasse para esse trabalho diário. Começámos então numa escola pequena, com 200 crianças, e pudemos logo ver que ia resultar, porque começaram a vir mais crianças à escola do que era habitual, algumas delas nunca tinham ido, mas passaram a ir por causa da promessa de uma refeição. A partir daí, a Mary’s Meals nunca mais parou de crescer.

 

7M – Porquê a escolha do nome?

Por uma série de razões muito particulares, sentimos que esta obra pertencia a Maria e que era um fruto de Međugorje. Quando, há pouco, disse que eu e os meus irmãos tínhamos ido lá quando éramos adolescentes, não expliquei bem… mas o que aconteceu foi algo de muito improvável.

Naquela altura, Međugorje não era conhecida, muito menos aqui na Escócia ou no Reino Unido! Estávamos sentados à mesa do pequeno-almoço, a minha irmã mais velha, Ruth, que tinha 19 anos, estava a ler um jornal e viu uma pequena notícia, só de um parágrafo, sobre uns adolescentes da Jugoslávia que diziam ver a Virgem Maria. E nós, que tínhamos feito uma peregrinação familiar a Fátima no ano anterior, tínhamos esta ideia de que Nossa Senhora não voltaria a aparecer a mais ninguém, depois dos pastorinhos. Ficámos muito curiosos e começámos a dizer aos nossos pais: “Se há alguma hipótese, mesmo que remota, de isto ser verdade, deveríamos ir investigar!”. E, para nossa grande surpresa, eles disseram: “Bem, nós estamos muito ocupados com o trabalho, não podemos sair daqui agora, mas se vocês quiserem podem ir!”.

E nós fomos mesmo… e tivemos uma experiência incrível, que ainda hoje é difícil pôr por palavras. Ficámos realmente comovidos com a fé das pessoas daquela aldeia, com a profunda convicção de que Nossa Senhora estava a aparecer, e eu vim de lá talvez com uma nova consciência do amor de Deus por mim, de que ele me amava e tinha um plano para mim – como tem para todos, é claro. Mas eu ganhei essa consciência ali. E lembro-me de estarmos a perguntar aos videntes o que é que Maria lhes tinha dito e uma das coisas que um deles disse e que eu guardei foi um simples convite para colocar Deus em primeiro lugar. Foi isso que levei comigo para casa e foi o desejo de tentar fazer isso que me levou a todas as escolhas. Por isso, digo que a Mary’s Meals é um fruto de Međugorje.

 

7M – Um fruto que, atualmente, alimenta todos os dias quase dois milhões e meio de crianças em todo o mundo… Em que países estão presentes?

Estamos presentes em 16 países, e escolhemos especificamente os locais onde existe uma maior necessidade de ajuda. O Malawi, onde começámos, é onde temos o nosso maior programa, mas também estamos ali ao lado, na Zâmbia e no Zimbabué, no Sudão do Sul, no Haiti, na região de Tigré (norte da Etiópia). E iniciámos recentemente um pequeno projeto em Moçambique…. Não fazemos escolhas fáceis, queremos estar onde as coisas são mais difíceis para as crianças.

Crianças comendo a refeição oferecida pela Marys' Meals numa escola em Porto príncipe, Haiti. Foto JEANNE WILL VICTORIA ONELIEN

Crianças tomam a refeição oferecida pela Marys’ Meals numa escola em Porto Príncipe, Haiti. Foto © Mary’s Meals

7M – Sente que o vosso trabalho faz realmente a diferença na vida delas?

Sim, sinto muito isso, muito mesmo. E podemos ver as provas de duas formas. Uma delas é através de um trabalho contínuo de avaliação de impacto: estamos constantemente a monitorizar o que acontece depois de começarmos a distribuir as refeições, o que acontece com o número de crianças inscritas numa escola, o que acontece com as taxas de frequência, o que acontece com o seu ritmo de progressão… e os números mostram-nos uma melhoria significativa em todas estas variáveis, de forma consistente. E depois vemos aquilo que acontece nas vidas concretas de muitas destas crianças, que, já adultas, nos vêm dizer coisas como “eu nunca teria ido à escola se não fosse por aquela refeição que nos davam lá”, ou “talvez eu nem sequer estivesse vivo hoje, se não fosse por vocês”.

 

7M – Mantém contacto com algumas dessas crianças?

Sim, ainda há três semanas regressei ao Malawi e estive com uma jovem incrível chamada Lette, que eu tinha conhecido há mais de dez anos, quando ela tinha 12. Nessa altura, estávamos a fazer um documentário sobre o trabalho da Mary’s Meals e filmámos com ela porque era uma situação realmente pesada e que ilustrava aquilo que continuava a acontecer a tantas crianças… Os pais tinham morrido e a Lette tinha ficado sozinha, a tomar conta dos seus dois irmãos mais novos. Todos estavam desnutridos, nenhum andava na escola… Precisávamos de mostrar esta realidade às pessoas. Lembro-me de que, quando a levámos à escola, os professores foram um pouco rudes, porque ela estava muito desnutrida e doente. Um deles disse: “Não creio que a Lette vá aprender muita coisa aqui… mas se quer inscrevê-la, pode fazê-lo”. Inscrevemo-los, a ela e aos irmãos, e a verdade é que se revelou uma ótima aluna. Está prestes a terminar a faculdade e entretanto já trabalha na Mary’s Meals: é um dos elementos da nossa equipa de comunicação! Então, quando estive no Malawi há três semanas para várias reuniões com membros do Governo, lá estava ela a tirar-nos fotografias e a fazer a reportagem para a Mary’s Meals. Portanto, esta é uma das vidas em que vi claramente a transformação que uma coisa tão simples como aquela que fazemos pode operar.

Lette beneficiou do programa de alimentação da Mary's Meals em criança, no Malawi. Hoje, trabalha para o departamento de comunicação da Mary's Meals. Foto Mary's Meals

Lette beneficiou do programa de alimentação da Mary’s Meals quando era criança, no Malawi. Hoje, trabalha para o departamento de comunicação da organização. Foto © Mary’s Meals

7M – Os dados mais recentes mostram-nos que a fome está a atingir níveis sem precedentes em algumas regiões… Há poucos dias, um padre que está em Cabo Delgado (Moçambique) partilhava que há crianças a morrer de subnutrição lá… Alguma vez sentiu que esta era uma batalha perdida ou teve vontade de desistir?

Não, nenhum de nós é impotente. Nenhum de nós! Não podemos esconder-nos atrás da ideia de que não podemos fazer nada em relação ao que se passa. Não há nenhuma boa justificação para que alguma criança neste mundo sofra de subnutrição, nem há nenhuma boa razão para que alguma criança falte à escola por causa da fome. Vivemos num mundo de abundância, em que há comida mais do que suficiente a ser produzida. É claro que podemos sentir-nos esmagados quando olhamos para os números, especialmente agora, quando vemos a situação a piorar em tantos lugares diferentes do globo. Consigo compreender que as pessoas, quando confrontadas com isso, sintam que não têm capacidade para mudar. E também é importante reconhecer que, enquanto indivíduos, nenhum de nós consegue resolver isto sozinho. Mas, enquanto indivíduos, todos podemos fazer algo, todos podemos escolher alimentar pelo menos uma criança faminta. O que não podemos é normalizar isto, assumir que a fome é inevitável, porque não é. E hoje, mais do que nunca, temos à nossa disposição todas as ferramentas para estarmos atentos e para intervirmos.

Magnus MacFarlane-Barrow, CEO da Mary's Meals, fotografado na Etiópia. Armstrong 2Studios 2024

Magnus MacFarlane-Barrow na Etiópia, em 2024. O fundador da Mary’s Meals não tem dúvidas de que a organização faz realmente a diferença na vida destas crianças. Foto © Mary’s Meals

7M – Planeiam fazer crescer a intervenção da Mary’s Meals nos próximos tempos?

Sim, atualmente estamos a conseguir expandir-nos graças à generosidade do cada vez maior número de benfeitores. Portanto, o número de crianças alimentadas deverá aumentar nos próximos meses. Queremos e planeamos crescer principalmente nos locais onde já estamos, porque mesmo nesses 16 países ainda há muitas crianças sem refeições escolares. Moçambique é um desses exemplos onde estamos apenas a começar e há uma necessidade enorme. Ao mesmo tempo, mantemo-nos abertos a, quando for possível, avançar também para outros países.

 

7M – Como é que decidem quem ajudar? Qual o critério?

Essa é uma das coisas mais difíceis neste trabalho… Todas as semanas, recebemos pedidos de pessoas que trabalham em comunidades onde as crianças passam fome – sobretudo missionários ligados à Igreja – e não podemos dizer que sim a toda a gente. O que procuramos fazer é perceber quais os locais onde a necessidade é maior. E, depois disso, analisar se é possível trabalharmos lá de forma eficaz, se existem bons parceiros com as quais possamos trabalhar.

 

7M – E como é que uma “pessoa comum”, aqui em Portugal, pode ajudar-vos?

De tantas formas diferentes… Para aquelas pessoas que acreditam no poder da oração, eu começaria por aí! Acredito que a Mary’s Meals é um fruto da oração e muitos milhares de pessoas participam nesta missão rezando todos os dias. Depois, é possível ajudar partilhando um pouco do que têm: 22 euros é o valor médio necessário para alimentar uma criança durante um ano letivo inteiro. Muitos podem fazer algo significativo através de um donativo. E também podem oferecer-se como voluntários para as ações de angariação de fundos. Basta irem ao sítio da Mary’s Meals Portugal e vão encontrar todos os contactos e informações. Há quem se ofereça para organizar um evento solidário, ou quem faça corridas para ajudar a Mary’s Meals, como é o caso da Sílvia Duarte, sobre a qual vocês já escreveram no 7MARGENS. Além disso, é muito importante o trabalho de sensibilização. Precisamos de aumentar a consciencialização, contar aos outros sobre estas crianças. Falem às pessoas sobre o sofrimento delas e digam-lhes que há uma solução para ajudá-las.

Silvia Duarte corre pela Mary's Meals. Foto Mary's Meals

A portuguesa Silvia Duarte já correu centenas de quilómetros para ajudar a angariar donativos para a organização. Foto © Mary’s Meals

7M – Diz que a Mary’s Meals é um fruto de Medjugorje e pede às pessoas que rezem por esta missão, mas não procura evangelizar através da Mary’s Meals, pois não?

O nosso objetivo é muito simples: alimentar crianças famintas. E somos uma missão universal. Pessoas de todas as religiões, e sem religião, estão envolvidas nesta missão, em todo o mundo, e é isso que queremos. O nosso objetivo não é evangelizar e não o fazemos diretamente. Mas creio que quando fazemos o nosso trabalho como uma obra de amor, esse trabalho aponta para Jesus.

 

7M – E como surgiu a oportunidade de participar na Cimeira Internacional sobre os Direitos da Criança, que o Papa promoveu no início de fevereiro, no Vaticano?

Para ser sincero, não tenho bem a certeza! [Risos] Recebemos um convite da Santa Sé, o que foi muito entusiasmante! Ficámos muito felizes por podermos ir e partilhar um pouco da nossa experiência, ser a voz das crianças que servimos. Foi um verdadeiro privilégio poder estar nesta primeira cimeira e deu-me imensa alegria.

 

7M – Quão importante foi esta iniciativa do Papa Francisco? Acha que terá repercussões concretas na vida das crianças?

Espero que sim! Penso que, para todos nós que participámos, essa era uma das perguntas do dia. Que ações concretas vão sair disto? O que irá mudar? Pessoalmente, acredito que realizar esta cimeira e reunir as pessoas que ali estiveram já é, em si, algo concreto. Porque um dos grandes perigos destes tempos é que deixemos de ouvir a voz das crianças que são mais vulneráveis, mais marginalizadas. Com tantas coisas a acontecer e a mudar no mundo agora, existe um risco real de nos esquecermos delas. Por isso, o facto de o Santo Padre realizar esta cimeira já contribui, por si só, para que isso não aconteça. Além disso, ficámos todos muito surpreendidos (pela positiva!) e sentimo-nos muito encorajados no nosso trabalho quando ele anunciou que pretende escrever uma exortação apostólica sobre as crianças. Esse já será um resultado muito tangível e concreto que penso que nenhum de nós esperava ou ousou ter desejado!

 

7M – Apesar de o Papa ter a sua saúde mais fragilizada, acredita que ele vai cumprir essa promessa? Francisco tem sido uma inspiração para si?

Não tenho dúvidas de que pretende cumpri-la. E rezo para que Deus lhe dê saúde e força para o fazer. Acho que fui inspirado por todos os Papas da minha vida, de diferentes formas, mas penso que o Papa Francisco, de uma forma particular, desde o início do seu pontificado colocou essa ênfase na Igreja como sendo uma Igreja dos pobres e para os pobres. E acho que esta cimeira foi mais um exemplo disso. Portanto, sim, tenho sido muito, muito inspirado por ele, pelas suas palavras e ações a este respeito.

Magnus MacFarlane-Barrow saúda o Papa, durante a cimeira dos direitos das crianças, fevereiro 2025. Foto Vatican Media

Magnus MacFarlane-Barrow saúda o Papa, durante a Cimeira Internacional sobre os Direitos da Criança, fevereiro 2025. Foto © Vatican Media

7M – E como tem sido conciliar esta missão da Mary’s Meals com a sua vida pessoal? É pai de sete filhos, verdade?

Sim, sou pai de sete filhos e agora também sou avô de um neto! E essa é a minha primeira vocação: ser marido, ser pai. É isso que eu sou. Mas sou muito abençoado pela minha mulher, Julie, que durante todos estes anos apoiou a missão da Mary’s Meals de uma forma muito particular. Foi ela que ficou em casa com as crianças e a tratar de tudo sempre que eu tive de viajar. Sem o seu apoio e a sua fé profunda e partilhada nesta missão, teria sido muito difícil para mim fazê-lo. E hoje todos estão, de alguma forma, envolvidos na Mary’s Meals. O nosso filho mais velho, que tem 27 anos, trabalha na Mary’s Meals. Uma das minhas filhas esteve recentemente no Malawi como voluntária… Mas essa é uma escolha livre deles.

 

7M – E continuam a ter uma ligação forte a Međugorje…

Sim, e sem dúvida que uma das coisas que tem levado ao crescimento da Mary’s Meals é o facto de termos lá um pequeno centro de informação, o nosso contentor azul, que as pessoas podem visitar e onde podem conhecer a nossa missão.

O contentor da Mary's Meals em Medjugorje. Foto Mary's Meals

O contentor da Mary’s Meals em Međugorje. Foto © Mary’s Meals

7M – Foi assim que surgiu a oportunidade de a Mary’s Meals vir também para Portugal…

Exatamente, esse é um exemplo muito bonito! Foi depois de nos conhecer, numa peregrinação a Međugorje, que a Isabel von Rupp [hoje responsável da Mary’s Meals Portugal] decidiu apoiar esta missão no vosso país. E há vários outros países do mundo onde estamos representados por causa de pessoas que nos conheceram em Međugorje. Além disso, todos os meses de agosto há lá um grande festival da juventude e a Mary’s Meals é sempre convidada a falar. E todos os anos, em Outubro, temos a peregrinação da Mary’s Meals a Međugorje. Portanto, a ligação continua a ser muito forte. É como uma casa para nós. E Maria é como a nossa chefe! [Risos]

 

(Imagem de destaque: Magnus MacFarlane-Barrow, fundador e CEO da Mary’s Meals, fotografado na Etiópia, em 2024 © Mary’s Meals)

 

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