Sem provas dos alegados crimes

Nicarágua: 11 pastores evangélicos condenados a prisão e avultadas multas

| 5 Abr 2024

Onze pastores evangélicos presos na Nicarágua. Foto ADF International

De acordo com a organização de defesa da liberdade religiosa, os 11 pastores já se encontravam detidos há mais de dois meses e proibidos de contactar quaisquer representantes legais ou os seus familiares. Foto © ADF International

 

A justiça da Nicarágua condenou 11 pastores evangélicos ligados à organização norte-americana Mountain Gateway a penas de 12 e 15 anos de prisão, bem como ao pagamento de uma multa de 80 milhões de dólares (cerca de 74 milhões de euros), “por falsas acusações de lavagem de dinheiro”, denunciou a ADF International, que já apresentou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

De acordo com a organização de defesa da liberdade religiosa, os 11 pastores já se encontravam detidos há mais de dois meses e proibidos de contactar quaisquer representantes legais ou os seus familiares. “Além de terem sido impedidos de se reunir com os seus representantes legais ou com as suas famílias, aos advogados do caso foi negado o acesso aos ficheiros do processo e outra documentação relevante contra os pastores”, lamenta a ADF International, acrescentando que “durante o julgamento simulado, o governo não conseguiu apresentar qualquer prova da alegada atividade ilícita ou da origem dos alegados fundos ilegais que foram ‘lavados'”.

“Ninguém está a salvo da perseguição religiosa na Nicarágua, e é devastador ver as falsas acusações, julgamentos e condenações destes pastores e líderes ministeriais que estavam simplesmente a partilhar a sua fé e a servir os cidadãos da Nicarágua”, afirmou Kristina Hjelkrem, consultora jurídica da ADF International, citada num comunicado da organização. “Ninguém deve ser perseguido pela sua fé e esperamos garantir justiça para estes líderes presos injustamente”, reiterou.

E deixou ainda um apelo: “Todos os que puderem precisam de se manifestar contra as inúmeras injustiças sofridas pelos cidadãos da Nicarágua às mãos do seu governo. Já passou da hora de os direitos humanos do povo nicaraguense serem totalmente restaurados”.

A ADF International apresentou um pedido de medidas cautelares à Comissão Interamericana de Direitos Humanos em nome dos condenados e solicitou que esta exija a garantia do direito à saúde, à vida e à integridade física dos pastores durante a sua permanência na prisão, enquanto o processo estiver em curso.

Já na semana passada, a advogada e investigadora Martha Patricia Molina, autora do relatório “Nicarágua: Uma Igreja perseguida?”, denunciava que, pelo segundo ano consecutivo [ver 7MARGENS], a Semana Santa estava a ser vivida no país sem as tradicionais procissões nas ruas e sem a Via-Sacra, devido às proibições e intimidações por parte das autoridades. As únicas celebrações autorizadas foram realizadas dentro dos locais de culto ou nos respetivos átrios e quatro mil agentes da polícia foram posicionados junto às igrejas do país para monitorizar o cumprimento das proibições.

 

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