Nicarágua: Ataque à catedral de Manágua reflete “ódio à Igreja Católica”

| 3 Ago 20

catedral managua ataque Foto Twitter Silvio Baez

“O que aconteceu foi uma ferida dolorosa no coração do povo católico nicaraguense”, afirmou o influente bispo auxiliar da arquidiocese de Manágua, Silvio Báez, exilado desde 2019. Foto: Twitter de Silvio Báez

 

A catedral metropolitana de Manágua, na Nicarágua, foi atingida na passada sexta-feira, 31 de julho, por um engenho explosivo que incendiou a Capela do Sangue de Cristo e destruiu um crucifixo com mais de 300 anos que ali era venerado. A arquidiocese de Manágua já reagiu, considerando que este ato vem somar-se a uma série de episódios que “refletem o ódio à Igreja Católica”. Este foi o 24º ataque sofrido pela Igreja da Nicarágua nos últimos 20 meses.

“Este facto condenável soma-se a uma série de atos sacrílegos, de violações da propriedade da Igreja, de assédios aos templos, que mais não são do que uma cadeia de eventos que refletem o ódio à Igreja Católica e à sua obra de evangelização. Os ataques contra a fé do povo católico exigem uma análise profunda, para esclarecer os autores intelectuais e materiais deste ato macabro e sacrílego”, pode ler-se no comunicado da arquidiocese.

Desconhece-se a autoria do ataque contra a imagem que foi venerada por João Paulo II aquando da sua segunda visita à Nicarágua, em 1996. Mas as relações entre a Igreja Católica e o governo do Presidente Daniel Ortega são tensas desde 2018, quando inúmeros padres arriscaram as suas vidas para defender os milhares de pessoas que participavam nas manifestações antigovernamentais e que foram controladas com ataques armados, provocando centenas de mortos, presos e desaparecidos. Nos primeiros meses de 2019, responsáveis católicos chegaram a mediar conversações entre o Governo e a oposição, mas a situação política continua bloqueada.

“O que aconteceu foi uma ferida dolorosa no coração do povo católico nicaraguense”, afirmou o influente bispo auxiliar da arquidiocese de Manágua, Silvio Báez, exilado desde 2019 depois de receber ameaças de morte, supostamente de grupos ligados ao Governo.

Também o Papa Francisco se dirigiu aos nicaraguenses no final da oração do Angelus, no passado domingo, 2 de agosto. “Penso no povo da Nicarágua que sofre por causa do atentado à catedral de Manágua, onde foi muito danificada, quase destruída, a imagem tão venerada de Cristo, que acompanhou e sustentou durante os séculos a vida do povo fiel. Queridos amigos nicaraguenses, estou próximo de vós e rezo por vós”, afirmou.

De acordo com o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos, a Igreja Católica no país sofreu 24 ataques nos últimos 20 meses. Na lista, inclui-se o caso de uma mulher que queimou a cara de um padre com ácido, o encerramento de um padre na sua paróquia durante nove dias sem água e luz, por parte das forças policiais, e inúmeros casos de destruição e roubo de imagens.

 

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