Carta de religiosos e religiosas na clandestinidade

Nicarágua: “Exílio não é sinónimo de liberdade, é crime contra a humanidade”

| 2 Fev 2024

Ao centro o Bispo Rolando Álvarez rodeado dos sacerdotes exilados. Foto © Religión Digital

 

Para os religiosos e religiosas nicaraguenses na clandestinidade o exílio a que foram forçados os bispos Rolando Álvarez e Isidoro Mora e mais 17 sacerdotes e seminaristas “não é sinónimo de liberdade”, pelo contrário “é um crime contra a humanidade”. A afirmação é feita numa carta datada de 1 de fevereiro divulgada pelo jornal espanhol Religión Digital no dia 2 de fevereiro.

A carta pronuncia-se sobre estas deportações forçadas que tiveram lugar a 15 de janeiro [ver 7MARGENS] e sobre “a conclusão da primeira parte do caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco à Igreja universal”.

Afirmando que partilham “o alívio sentido pelo povo de Deus pela saída dos nossos irmãos desta terrível prisão” em que o regime de Daniel Ortega transformou o país, os religiosos e religiosas sublinham que situação dos novos exilados “se veio juntar à de outros compatriotas vítimas de crimes contra a humanidade”. Por outro lado, desejam que “a esperança aberta pela libertação dos nossos 19 irmãos religiosos se traduza numa rápida recuperação de cada um deles e que a sua voz – unida à de outros irmãos e irmãs do exílio – continue a ser uma fonte de coragem, resistência e encorajamento para a nossa sofrida Nicarágua”.

A carta agora divulgada contém uma profissão de fé na capacidade de resistência do povo cristão do país: “Estamos aqui! Ainda rodeados de homens e mulheres – jovens e não tão jovens – que tentam fazer por viver o Evangelho de Jesus Cristo no meio das comunidades em resistência que se reúnem em diferentes áreas da Nicarágua. O povo de Deus ‘das catacumbas’ está vivo e mais forte na Nicarágua a cada dia que passa.”

Já “quanto à primeira parte do Sínodo da Sinodalidade”, os religiosos e religiosas lamentam “o silêncio da hierarquia eclesiástica nicaraguense em relação aos resultados desta primeira sessão”. E recordam que “o Sínodo propõe à Igreja uma mudança nas estruturas que envolve uma maior inclusão das mulheres nas decisões eclesiais” e “também defende dar espaço para a tomada de decisões a partir das bases, isto é, das comunidades crentes em cada bairro, cidade e região”. Temas que a hierarquia católica do seu país, escrevem, não divulgou suficientemente num país que “durante estes anos de crise, perdeu entre 10 a 15 por cento da sua população devido a assassinatos seletivos, desaparecimentos forçados e deportações”.

 

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