Com cumplicidade do governo

Nigéria corre risco de uma “guerra religiosa”

| 4 Dez 2023

Mulher cristã vítima de ataque jihadista na Nigéria. Foto CSI

Mulher cristã sobrevivente de ataque jihadista na Nigéria. A violência sectária no país não é nova, mas com o “patrocínio estatal” dessa violência, a situação atingiu “um nível muito perigoso”. Foto © Christian Solidarity International

 

Enquanto a organização de defesa dos direitos humanos Intersociety acusa o governo nigeriano de ser cúmplice do contínuo assassinato de cristãos no país pelas forças jihadistas, observadores na Europa preveem que aquela que é a nação mais populosa de África pode estar à beira de uma “guerra religiosa”.

De acordo com a Intersociety – ONG de inspiração católica – pelo menos 500 cristãos foram mortos só no estado de Plateau (no centro da Nigéria) este ano. A mesma organização refere que, nos últimos 14 anos, o número de assassinatos pelas mãos de militantes islâmicos no país ultrapassou os 52 mil. “O nível de violência deverá continuar e tem continuado a aumentar porque as autoridades estão a alimentar a crise”, afirma o diretor da Intersociety, Emeka Umeagbalasi, citado pelo jornal Crux.

Segundo Umeagbalasi, foram “injetados” elementos jihadistas nas forças de segurança do país e também noutras estruturas governamentais, o que explica a “atitude indiferente” do atual governo da Nigéria perante os constantes ataques a cristãos.

Aqueles que não apoiam os jihadistas, explica Umeagbalasi, são removidos do poder e substituídos por “fantoches que podem ter nomes cristãos, mas ao mesmo tempo trabalham para o governo [de orientação jihadista]”.

A perseguição aos cristãos não se limita ao Estado do Plateau. De acordo com o diretor da Intersociety, Kaduna e Benue são também focos de perseguição cristã no norte da Nigéria, dominado pelos muçulmanos, e também aí o Estado parece cúmplice.

O responsável pela ONG criada na Nigéria em 2008 sublinha a diferença nas reações face aos ataques a membros do povo Fulani, maioritariamente muçulmano: “No estado de Plateau ou no norte da Nigéria, em qualquer um dos locais problemáticos, se um homem fulani for morto, veremos as forças de segurança e o governo gastarem milhões no patrocínio da alta publicidade desse homem fulani morto. Quando cidadãos [cristãos] indefesos são mortos às centenas, o governo não levanta nem uma sobrancelha. Isso quer dizer que na Nigéria há aqueles que são criados para serem mortos e há aqueles que são criados para viver”, denuncia.

Umeagbalasi reconhece que a violência sectária na Nigéria não é nova, mas afirma que com o “patrocínio estatal” dessa violência, a situação atingiu “um nível muito perigoso”.

Franklyne Ogbunwezeh, investigador sénior e diretor de prevenção do genocídio na Christian Solidarity International (organização de defesa da liberdade religiosa sedeada na Suíça), concorda, tendo afirmado recentemente a um meio de comunicação da Nigéria que a população cristã da Nigéria central está a enfrentar uma campanha genocida.

Além de considerar que “as matanças, que não param, mostram a intenção de eliminar os cristãos” da Nigéria, Ogbunwezeh alertou também que o país está “à beira de uma guerra religiosa” e acusou o governo nigeriano de ignorar os gritos das vítimas e de permitir que os jihadistas derramem sangue inocente.

Já no início deste mês, o 7MARGENS dava conta de que o aumento da violência na Nigéria, com cada vez mais gangues a realizar sequestros, muitas vezes visando padres, seminaristas e leigos com funções pastorais, estava a “empobrecer” ainda mais a Igreja no país, que só na zona norte tinha gasto mais de 30 milhões de nairas (cerca de 35 mil euros) em resgates.

 

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