No meio do caos, os bahá’ís no Iémen enfrentam perseguições

| 6 Mar 19

Mapa e situação geopolítica do Iémen; fonte: Baha’i World News Service (news.bahai.org); ilustração © Bahá’í International Community

 

Nos últimos anos, imagens brutais de uma guerra fratricida no Iémen surgiram na comunicação social e em redes sociais. O país tornou-se palco de confronto de interesses de potências regionais e as suas débeis infra-estruturas têm vindo a ser destruídas, criando uma crise humanitária sem precedentes na região.

Ao longo desta terrível guerra civil, os bahá’ís do Iémen recusaram-se sempre a tomar partido por qualquer das facções em conflito. Apesar dessa posição de não envolvimento ter sido repetidamente afirmada, as perseguições e ameaças surgiram desde o início do conflito.

Essas ameaças assumiram novas dimensões em 2018, quando a Amnistia Internacional denunciou que 24 bahá’ís – incluindo oito mulheres e uma adolescente – que se encontravam detidos em Sanaa, a capital do país, poderiam vir a ser condenados à pena de morte. A Amnistia afirmava que “mais uma vez se assistia a um processo forjado e a procedimentos ilegais usados para perseguir os Bahá’ís do Iémen devido à sua religião”.

No final do passado mês de Dezembro, surgiram notícias de que as autoridades Houthis (o principal grupo opositor ao Governo) estavam a exercer pressão para que um tribunal concluísse a sua decisão sobre um processo contra os 24 membros da Comunidade Bahá’í. Algumas semanas antes, a ONU tinha conseguido supervisionar um processo de libertação de prisioneiros, no qual os Houthis se tinham recusado a incluir os Bahá’ís, considerados prisioneiros de consciência pela Amnistia Internacional.

No meio do caos, a única esperança dos Bahá’ís têm sido a oração e as pressões da comunidade internacional.

 

Uma presença que vem do século XIX

A Comunidade Bahá’í no Iémen surgiu no século XIX, pouco depois do aparecimento desta religião na Pérsia e no Império Otomano. Nas décadas recentes, a comunidade foi crescendo e pessoas de vários segmentos da sociedade iemenita converteram-se à fé bahá’í. Particularmente notório foi o caso de um grupo tribal iemenita que descobriu a fé bahá’í na internet e começou a seguir as leis e ensinamentos bahá’ís. Algum tempo depois, o interesse pela fé bahá’í estendeu-se a outras tribos, tendo alguns dirigentes tribais vindo a identificar-se abertamente como bahá’ís. Apesar de não existirem estatísticas exactas, estima-se que existam no Iémen alguns milhares de bahá’ís, provenientes de diversos estratos sociais e regiões do país.

Como em muitos outros países, o foco das actividades bahá’ís centra-se na transformação social e no desenvolvimento das potencialidades humanas. No Iémen, esses objectivos levaram a Comunidade Bahá’í a estimular os jovens e adultos a contribuir para a regeneração social, dedicando as suas energias em áreas como a construção de infra-estruturas, a medicina, a reconciliação tribal, a educação e a ajuda humanitária.

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