Incomodou Israel e não agradou a todos, mesmo entre os palestinianos, mas o filme palestino-israelita No Other Land converteu-se num importante instrumento de denúncia da limpeza étnica que o Governo e o Exército Israelitas têm estado a fazer em Gaza e na Cisjordânia.
Apesar da visibilidade que o Óscar de melhor documentário deste ano lhe deu e de ter obtido idêntico prémio no Festival de Berlim (Berlinale), nenhuma empresa de distribuição ou de streaming (de aluguer e vendas à distância), nos Estados Unidos da América, aceitou incluir este filme na sua programação ou catálogo, explica o site MediaTalks.
Com 1h e 35m de duração, No Other Land toma como argumento a resistência das comunidades palestinianas às investidas dos militares israelitas, que irrompem para demolir as suas casas, expulsá-los das suas terras e ocupar esses territórios. No caso concreto relatado, os militares pretendiam criar um campo de treino militar em terras de camponeses [ver 7MARGENS].
A ideia do filme germinou na Cisjordânia, em 2019, e começou a ganhar forma quando o jornalista israelita Yuval Abraham foi à Cisjordânia cobrir as operações militares e, com Basel Adra e mais dois amigos constituíram o grupo que está por detrás do filme. Basel e Yuval são os corealizadores.
Com um orçamento baixo, a rodagem foi sendo feita, a partir das vítimas da violência, permitindo acompanhar não apenas os acontecimentos, mas as conversas que eles originavam. Acabou por incluir episódios já posteriores ao ataque do Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023.
Yuval, que domina o árabe, acaba por se envolver no apoio à causa dos palestinianos, sendo objeto de ameaças dos soldados do seu país.
Segundo Basel, a intenção com o filme “não foi o próprio prémio, mas … chegar ao coração das pessoas”. Ele quer que o mundo veja o que está a acontecer na sua comunidade de Masafer Yatta, na Cisjordânia, ouve-se ele dizer em declarações na Al Jazeera.
Precisamente porque o filme não entrou no circuito comercial das salas de cinema, acabou por circular entre grupos de interessados na causa palestiniana, não sendo difícil encontrar na internet sítios onde o visionar.
Entretanto, o Movimento BDS, um importante grupo de direitos palestinianos que apela ao boicote de produtos e serviços israelitas, criticou No Other Land por não seguir as indicações de boicotar instituições israelitas (que apoiaram o filme) e poder normalizar a ocupação.
Mas foram os setores próximos das posições do governo israelita que mais criticaram No Other Land. O ministro da cultura e do desporto de Israel, Miki Zohar, considerou a vitória do Óscar do filme “um momento triste para o mundo do cinema”, acusando o documentário de “difamar Israel”.

“No Other Land”: Foto retirada do trailer oficial do filme
(Imagem de destaque: retirada do trailer oficial do filme)
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