
Narges Mohammadi, ativista iraniana, vencedora do Prémio Nobel da Paz 2023. Foto © Reihane Taravati
A iraniana Narges Mohammadi, Nobel da Paz de 2023, foi libertada esta quarta-feira, 4 de Dezembro, apenas de forma temporária e por razões médicas, de acordo com a informação divulgada pelo seu advogado de defesa, Mostafa Nili.
“De acordo com o parecer do médico legista, o Ministério Público de Teerão suspendeu a execução da pena de Narges Mohammadi por três semanas e ela foi libertada da prisão”, escreveu o advogado na rede social X.
Detida desde novembro de 2021, esta libertação ficou a dever-se a uma intervenção cirúrgica a que Narges Mohammadi foi sujeita há três semanas, para remover um tumor benigno numa perna e fazer um enxerto ósseo, sempre de acordo com a informação do advogado.
A família já criticara a falta de acompanhmento médico e Mohammadi precisa agora de “cerca de três meses de cuidados em condições favoráveis”, tendo por isso solicitado a suspensão da pena.
Mohammadi, 52 anos, recorda a Renascença, está detida na prisão de Evin, em Teerão, depois de ter sido condenada seis vezes a um total de 13 anos e nove meses de prisão e 154 chicotadas, entre outros castigos. Durante a última década a maior parte do tempo passou-o na prisão.
Esta libertação temporária é “insuficiente”, declarou entretanto a Fundação Narges Mohammadi, que funciona como um comité de apoio à activista em Paris. “Após uma década de detenção, Narges precisa de atendimento médico especializado num ambiente seguro”, considerou a Fundação num comunicado citado pela SwissInfo.
A Renascença recorda ainda que a última sentença, de seis meses de prisão, foi proferida em meados de outubro, um mês depois de a Nobel da Paz ter protestado contra a execução do prisioneiro Reza Rasai pelo seu alegado envolvimento na morte de um oficial dos serviços secretos durante a revolta desencadeada pela morte da jovem estudante Mahsa Amini, em Setembro de 2022.
De acordo com o marido, Taghi Rahmani, Narges tem estado detida na ala feminina da penitenciária de Evin, na zona norte de Teerão, ao lado de quase 50 outras mulheres.
Mesmo enfrentando várias condenações, Mohammadi tem continuado a denunciar as violações dos direitos humanos no Irão, incluindo a aplicação da pena de morte e a violência contra as mulheres, nomeadamente as que não usam o véu. Em Março, Narges divulgou uma mensagem de áudio gravada na prisão, na qual denunciava uma “guerra em larga escala contra as mulheres” na República Islâmica.
O Comité Nobel norueguês atribuiu-lhe o Nobel da Paz em 2023 “pela sua luta contra a opressão das mulheres no Irão e pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos”. Não tendo sido autorizada a ir receber o galardão, este foi entregue aos dois filhos, Kiana e Ali, que vivem em França e não vêem a mãe desde 2015.
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