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“Nomadland – Sobreviver na América” vence Óscares para melhor filme, cineasta e atriz

| 26/04/2021

Imagem do filme Nomadland: uma oportunidade de olhar para os trabalhadores a tempo parcial que vagueiam pela terra nos seus furgões

 

Para uma audiência americana, esta é uma oportunidade de olhar para os trabalhadores a tempo parcial que vagueiam pela terra nos seus furgões, bem como para um olhar detalhado sobre a própria terra. Para o público não-americano é o mesmo, mas é igualmente um grande abrir de olhos à medida que caminha através da terra nómada ao longo do ano.

É surpreendente descobrir que o filme foi realizado pela chinesa Chloe Zao, vencedora do Óscar para melhor realização, a segunda mulher a ganhar esta distinção. Ela absorveu claramente a experiência americana, escreveu um argumento, adaptando-o de um livro de Jessica Bruder, produziu o filme, dirigiu-o e, tornando-o eficaz no seu impacto sobre os espetadores, editou-o. É um tributo à sua inteligência e empatia, bem como às suas capacidades cinematográficas e narrativas.

Ela é também imensamente ajudada pela presença de Frances McDormand (que assumiu o projeto e é uma das produtoras). McDormand, que conquistou a estatueta para melhor atriz, tem uma presença distinta na tela, como, aliás, a tem há mais de 30 anos – com dois Óscares, Fargo e Três Cartazes à Beira da Estrada, a par de muitos galardões e nomeações. À medida que envelhece, sem se preocupar minimamente com a sua aparência, personifica mulheres que passaram por experiências difíceis e sobreviveram. É certamente o caso da sua personagem aqui: Fern, uma viúva que viu o seu marido morrer de cancro, morou em Empire, Nevada, que em 2011 assistiu à falência da sua fábrica de gesso, fazendo com que a cidade ficasse deserta.

Fern, então, saiu para a estrada, no seu furgão, que tornou confortável nos seus interiores, de maneira a poder passar nele a sua vida. Tem um lar, não uma casa. Junta-se a uma vasta comunidade de nómadas, que possuem um calendário no qual se marcam as datas onde podem encontrar trabalho parcial nas várias estações do ano.

Primeiro vemos Fern a trabalhar numa gigantesca fábrica de embalagens administrada pela Amazon. Mais tarde, trabalhará na terra, num estranho parque temático com uma enorme estátua de dinossauro, em restaurantes, a cozinhar e lavar a louça. É a sua opção, e ela aprecia esse estilo de vida.

Em geral, os locais de filmagem são no “Midwest” e sudoeste, cenas das estéreis Dakotas, a cidade abandonada no Nevada, comunidades nómadas no Arizona – com uma excursão a algumas montanhas e à costa. É uma viagem a uma América característica.

Estamos sempre com Fern, e a realizadora foca mais que frequentemente o rosto de McDormand, a gama de expressões, a intensidade, a paz, uma atriz que só com o rosto oferece toda uma performance.

Mas, mais significativo, são os próprios nómadas. De certa forma, o argumento é uma série de retratos, a gama de pessoas que Fern encontra no trabalho, na estrada, em vendas de garagem. Os espectadores ficarão certamente impressionados com algumas das conversas dela com nómadas.

Há Linda May, que trabalha na fábrica, tagarela, tornando a partilha dos nómadas muito verosímil. Há Bob Wells que iniciou uma comunidade no Arizona onde todos os nómadas podem ir, ficar, compartilhar, narrar as suas histórias, ser escutados. Há o jovem Derek que pede um cigarro a Fern, e que mais tarde ela reencontra na estrada, recitando-lhe Shakespeare, ela que tinha sido professora a meio tempo. E há Swankie, a mais memorável, diagnosticada com cancro terminal, que fala franca e amigavelmente com Fern, relembrando as aventuras de viagem do seu passado, prosseguindo o seu caminho para mais aventuras até morrer.

Anthony Hopkins (O Pai) foi distinguido com o Óscar para melhor ator, enquanto Soul: Uma Aventura com Alma”, foi considerado o melhor filme de animação.

 

(Tradução: Rui Jorge Martins. Texto publicado na página do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura)

 

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