A 14 de Fevereiro de 1725 nasceu em Mação (Beira Baixa) o hoje célebre mas muito esquecido padre António Pereira de Figueiredo. Oratoriano e depois padre secular, Pereira de Figueiredo foi um importante “latinista, filólogo, canonista e teólogo”, além de político e também músico. Neste ano, o concelho de Mação está a prestar homenagem ao “ilustre filho” da terra e a convidar ao conhecimento da obra de “um dos maiores eruditos do século XVIII”.
No passado dia 15 de Fevereiro, decorreu em Mação uma conferência a assinalar os 300 anos do nascimento do homenageado. A primeira exposição geral sobre a vida e obra de Pereira de Figueiredo foi, contra o que é costume nestas coisas, feita por três competentes “jovens” alunas do secundário do Agrupamento de Escolas local. Seguiu-se um painel de aprofundamento por vários “adultos”, o pároco local, um historiador e uma jornalista, ambos do concelho, e José Carlos Gueifão, o homem que há 30 anos descobriu o padre Pereira de Figueiredo e nunca mais deixou de desafiar os poderes locais para a necessidade de reconhecer a importância deste homem da terra. Em resultado desse labor, existe há anos no centro da vila um monumento e está a decorrer um “programa de comemorações” que incluirá, entre outras iniciativas, a edição, em maio próximo, de um livro sobre o homenageado.

José Carlos Gueifão (à frente) foi o homem que há 30 anos descobriu o padre Pereira de Figueiredo e nunca mais deixou de desafiar os poderes locais para a necessidade de reconhecer a sua importância. Foto: Direitos reservados
A fechar a conferência, um grupo de alunas do mesmo Agrupamento de Escolas dançou a coreografia “Sapientia” ao som de uma peça composta por Pereira de Figueiredo e ali executada pela Filarmónica local.

Pereira de Figueiredo foi o autor de uma “nova” gramática do Latim. Imagem: Direitos reservados
Pereira de Figueiredo foi o autor de uma “nova” gramática do Latim e o teólogo que, em apoio à política do Marquês de Pombal, defendeu o “regalismo”, em síntese, a ideia de que o chefe de Estado tinha direito a intervir em assuntos internos da Igreja Católica. Compreende-se a importância política desta perspetiva teológica no tempo do absolutismo e percebe-se o papel de primeira ordem que Pereira de Figueiredo teve no contexto do conflito de Pombal com os Jesuítas, ao tempo adversários dos Oratorianos. E não custa compreender que, após a morte de Pombal, Pereira de Figueiredo tenha caído num conveniente esquecimento.
Registe-se ainda que Pereira de Figueiredo fez “a primeira tradução completa da Bíblia para português”, a qual foi ainda corrente em Portugal no primeiro quartel do século XX e continua a ser publicada no Brasil.
O padre António Pereira de Figueiredo faleceu em 1797, de novo como oratoriano, depois de ter composto mais de 150 livros.
(Imagem de destaque: Retrato do padre António Pereira de Figueiredo. Direitos reservados)
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