Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo: coração e renascimento

| 19 Set 20

Notre Dame de Paris

Notre Dame de Paris

Ramalho Ortigão e Eça de Queirós estiveram em Notre-Dame, em Paris, no dia 10 de Agosto de 1883. A memória dessa passagem de duas horas pela catedral encontra-se descrita no livro Pela terra alheia. Notas de viagem, de Ramalho Ortigão, agora editado pela Quetzal (colecção terra incógnita). O escritor encontra-se já na Alemanha quando recorda aquela que considera ser “a catedral do romantismo”. Notre-Dame, afirma Ramalho Ortigão, é, para ele e para os que, como ele, são “artistas latinos, latinos pela raça, latinos pela religião, latinos pela família literária”, “a igreja paroquial, a igreja da grande freguesia do espírito a que pertencemos”. Para Ramalho Ortigão, “depois do livro imortal de Victor Hugo, a Igreja de Notre-Dame é tanto um templo religioso como um templo literário”.

Publicada a 16 de Março de 1831, cerca de cinquenta anos antes desta ida de Ramalho e Eça à capital francesa, Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo, que acaba de ser editada pela Relógio d’Água, moldou, de facto, o modo como muitos olharam e olham para a velha catedral francesa. O incêndio que a consumiu no dia 15 de Abril de 2019 suscitou um renovado interesse pelo livro, que se tornou um dos mais procurados em França.

Uma palavra grega, traduzida por “fatalidade”, observada “na parede de um recanto escuro de uma das torres” de Notre-Dame impressionou “vivamente” Victor Hugo, que se interrogou, procurando “adivinhar qual podia ter sido a alma atormentada que não quisera abandonar este mundo sem deixar aquele estigma de crime ou de desgraça na fachada da velha igreja”.

O prefácio serve para o escritor referir ainda que, “além da frágil lembrança”, já nada resta dessa palavra “misteriosa”, a partir da qual o livro foi escrito. Poderá ter sido caiada ou raspada, o autor não sabe ao certo que processo a fez desaparecer. Victor Hugo sabe, todavia, que teve um destino comum: “É assim que se tratam há duzentos anos as maravilhosas igrejas da Idade Média. As mutilações vêm de todos os lados, de dentro e de fora. O padre caia-as, o arquitecto raspa-as, e depois vem o povo que as deita abaixo”.

Escrevendo Notre-Dame de Paris, Victor Hugo promoveu a recuperação da catedral que se ia degradando, fazendo, simultaneamente, emergir uma sensibilidade valorizadora do património histórico.

Noticiando que vários editores franceses da obra, que é do domínio público, iriam doar uma parte do dinheiro da venda ao fundo estatal que tratará da recuperação da catedral – o editor Antoine Gallimard que lançou uma edição especial de 30 000 exemplares na conhecida colecção Folio anunciou que os lucros se destinarão integralmente a financiar as obras –, o diário Le Parisien notou, em Abril de 2019, que, “além de fazer entrar a catedral no coração dos leitores do mundo inteiro, o romance de Victor Hugo vai, portanto, agora, ajudar também ao seu renascimento”.

A nova edição portuguesa de Notre-Dame de Paris, da Relógio d’Água, tem tradução e notas de Júlia Ferreira e José Cláudio.

 

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