A Fundação Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, que organizou a JMJ em Lisboa, mudou de nome para Fundação Jornada e apresentou à imprensa a sua nova imagem e estratégia para os próximos anos, anunciando que vai apoiar anualmente projetos de jovens em Portugal, no máximo de 30 mil euros por projeto nesta primeira fase, num total anual de 800 mil euros.
Marta Figueiredo, diretora executiva da Fundação Jornada, explicou aos jornalistas que a “perspetiva é, todos os anos, poder abrir pelo menos duas linhas de apoio no valor total de 800 mil euros”.
Em conferência de imprensa, na sede desta entidade, em Lisboa, acrescentou, citada pela Ecclesia, que o primeiro modelo-piloto de apresentação de candidaturas arranca no dia 16 de outubro para apoio a projetos focados nos jovens ou liderados por jovens, com idades entre os 15 e os 35 anos.
A responsável explica que este será aberto a qualquer “entidade que esteja legalmente constituída em Portugal”, a “grupos informais” ou a “qualquer grupo de jovens”.
O teto máximo para os apoios concedidos a cada projeto é, nesta primeira linha de apoio, de 30 mil euros, de uma verba global de 360 mil euros, resultantes do fundo de 35 milhões de lucros da JMJ.
Em declarações à Renascença, sobre o uso dos 35 milhões de euros de lucros, Alexandre Palma, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Fundação Jornada, começa por indicar que “o projeto de Fundação é perpetuar o seu fundo, ou seja, não é depauperá-lo”.
O presidente da Jornada vai mais longe e explica que o “objetivo” é enriquecer esse fundo dos 35 milhões de euros. “Vamos redistribuir os proveitos que este património gera. Neste sentido, é de maneira muito semelhante ao que boa parte das fundações que têm um fundo próprio e financiam as suas atividades funcionam”, esclarece.
Segundo as palavras de Alexandre Palma, “o que se trata é de conservar e multiplicar este fundo”. Vão assim, “distribuir os proveitos desse fundo pelos jovens”, sublinha o bispo auxiliar, acrescentando que esperam desta forma “beneficiar” várias gerações de jovens.
Projetos em áreas muito diferentes
Educação, formação, espiritualidade, saúde mental e cidadania são as áreas das iniciativas que a Fundação Jornada, antes Fundação JMJ Lisboa 2023, se propõe apoiar, mas admite que elas se possam alargar a outros temas. “Depende um bocadinho dos projetos que agora chegarem até nós”, afirmou Alexandre Palma, presidente da Fundação Jornada, acrescentando que a equipa não quis “pôr demasiados filtros à entrada no concurso”, que não tem limite máximo de candidaturas.
Marta Figueiredo reforça que no dia 16 de outubro será disponibilizado o “regulamento com toda a informação detalhada, de forma transparente, com todos os critérios” de “avaliação e de seleção dos projetos”.
Além do apoio financeiro, a Fundação Jornada, que tem como lema “a fé move, a ação multiplica”, pretende sobretudo capacitar pessoas. “O que queremos, e muito nesta lógica que trazia o D. Alexandre de multiplicar o legado, é também contar com parceiros que tenham experiência nas mais diversas áreas para poder também capacitar os projetos e os jovens neles envolvidos”, realçou a diretora executiva.
Sobre a possibilidade de a Fundação Jornada poder realizar investimentos diretos, desenvolvendo projetos próprios, Alexandre Palma mencionou que “nesta fase não está no plano estratégico”. “Nós queremos ser parceiros, não queremos ser protagonistas, de indivíduos e de instituições. Acreditamos que essa também é uma maneira de retribuir à sociedade e à Igreja portuguesa todo o compromisso com a JMJ”, referiu.
A nova sede da Fundação Jornada situa-se em Carnide, nas instalações da Fundação Maria Droste, uma casa de acolhimento para crianças e jovens retiradas por ordem judicial às suas famílias por estarem em situação de risco e vulnerabilidade, local que não foi escolhido ao acaso. “Também quisermos vir para este ambiente, para estarmos próximos daquilo que nós vamos querer, de alguma maneira, acompanhar”, adiantou o responsável à Agência Ecclesia.









