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Nove confissões religiosas do Grupo de Trabalho Inter-Religioso Religiões-Saúde criticaram também, em comunicado divulgado no fim-de-semana, a aprovação, pelo Parlamento, da lei sobre a eutanásia. “Aquilo que a Assembleia ofereceu como saída à pessoa que sofre gravemente é a morte a pedido (por enquanto)”, diz o texto enviado ao 7MARGENS.
O texto inclui a Igreja Católica, cujos bispos tomaram posição, e a Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), que divulgou também uma posição autónoma, a condenar a nova lei e a apelar para que o Presidente da República, “sensível a esta matéria, tudo faça para que uma lei com tão reduzida aceitação em Portugal não seja colocada em prática, assim como para que o Tribunal Constitucional defenda o princípio da inviolabilidade da Vida Humana, ao invés de defender a frágil autonomia de uma pessoa em sofrimento, tão permeável ao aproveitamento de interesses externos”.
No comunicado conjunto, o Grupo Inter-Religioso Religiões-Saúde pergunta ainda: “O que esperar face às dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, à pobreza, à grave insuficiência de cuidados continuados, à inexistência de uma rede de cuidados paliativos, ao depósito de idosos em muitos lares, às graves insuficiências do SNS?”
O grupo responde com três compromissos: reforçar o “empenho na proclamação dos valores da vida e na formação humana suportada pelos mesmos”; assumir “o desafio de uma maior proximidade aos doentes através do acompanhamento espiritual”, pedindo que se retirem os “entraves existentes” a esse acompanhamento; e “afirmar o princípio ético, ancestral e universal” do “não matarás”, que “conduziu a humanidade pelas vicissitudes da história até ao respeito pela vida e pela dignificação da pessoa humana”.
O comunicado é assinado em nome das duas maiores confissões religiosas do país – Igreja Católica e Aliança Evangélica Portuguesa –, bem como pelas comunidades Hindu de Portugal, Islâmica de Lisboa e Israelita de Lisboa. Subscrevem-no também a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons), Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, a União Budista Portuguesa e a União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia.
Quem também faz um apelo directo ao Presidente da República é a Associação dos Médicos Católicos Portugueses. Dizendo que a pandemia “veio pôr a nu a insanidade deste processo” e que “os médicos não são agentes da morte”, a AMCP apela a Marcelo Rebelo de Sousa “para que escute os portugueses e evite que um dos primeiros actos do seu segundo mandato seja a aprovação de uma lei que torna Portugal membro de um grupo indigno e minoritário de sete países que aprovaram a eutanásia”.









