
D. José Cordeiro à porta da Sé de Braga à chegada para a entrada solene na arquidiocese. Foto © Fotofelicidade
“Todos somos poucos para sermos ministros do Evangelho para a esperança do mundo” e, ao mesmo tempo, “só quem assume ser carente e pobre pode ser amigo dos pobres, reclusos, doentes, peregrinos, migrantes, refugiados, vulneráveis, indigentes e marginalizados nas periferias existenciais, sociais e geográficas”.
Estes dois pontos condensam duas linhas fortes da homilia do novo arcebispo de Braga, José Cordeiro, na eucaristia deste domingo, na Sé, que marcou o início do seu ministério naquela cidade. Além de grande parte dos bispos portugueses e de uma representação da Galiza, estiveram presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, em representação do primeiro-ministro.
Com base nas bem-aventuranças, leitura do evangelho deste domingo, o bispo observou que, para os profetas, as bem-aventuranças eram “um sonho”, ao passo que para Cristo elas são “o hoje” e que “o Reino é prometido àqueles que não vivem do afã do possuir e do poder, que não põem a razão de ser da sua vida em si mesmos e no que têm, mas que permanecem abertos e disponíveis para Deus”.
O Sínodo e a sinodalidade da Igreja estiveram presentes na alocução. Se o conceito de sínodo remete para “caminhar em conjunto”, o arcebispo interrogou os diocesanos: “Mas como é que este ‘caminhar juntos’ se realiza na nossa Igreja diocesana? Que passos o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso ‘caminhar juntos’?”.
Foi neste contexto que anunciou que, “logo que possível, e em sinodalidade com os organismos de comunhão”, iniciará o “roteiro da grande peregrinação por toda a Arquidiocese nos seus 14 arciprestados e 552 paróquias (551+1, a de Santa Cecília de Ocura, na diocese de Pemba, em Moçambique, para a qual Braga está a enviar equipas missionárias desde 2016). Pretende encontrar-se com os diáconos, as pessoas consagradas, movimentos e organismos eclesiais, autoridades, instituições de solidariedade social, famílias, reclusos, doentes, os mais pobres, os jovens e os mais velhos.
Porém, antes disso, promoverá “proximamente” encontros com os presbíteros (padres) de cada arciprestado, já que eles são para José Cordeiro, “os primeiros e indispensáveis colaboradores” e relativamente aos quais ele deseja ser “irmão e amigo”. “Peço-vos – sim, de coração aberto: ajudai-me a ser pai e pastor!…”, apelou.
Todos estes encontros “em sinodalidade” têm presente que uma Igreja “sinodal samaritana é uma Igreja que escuta, olha, cuida e acompanha”; uma Igreja de proximidade, capaz de gestos de amor. E para o plano pastoral deixou duas perguntas: “Desejamos uma Igreja pobre e livre? Que rosto de Deus encontra quem bate à porta da Igreja?”
Alertando que “o medo é o maior obstáculo da esperança”, incentivou os fiéis a que se deixem “contagiar pela imaginação e criatividade!”.

A esmagadora maioria dos bispos portugueses esteve presente na entrada solene de D. José Cordeiro. Foto © Fotofelicidade
O núncio apostólico Ivo Scapolo, que interveio na parte inicial da celebração, aludiu ao facto de o novo arcebispo ser também o metropolita da Província Eclesiástica de Braga, com um especial papel de “promover a comunhão eclesial ” entre as oito dioceses do Norte que integram aquela Província. Neste contexto, anunciou que no próximo dia 29 de junho, festa de S. Pedro e S. Paulo, o novo arcebispo receberá privadamente no Vaticano o pálio que simboliza esse papel de metropolita. Mais tarde, a 10 de julho, o núncio fará formal e publicamente a imposição desse pálio no decurso de uma celebração a ter lugar na Sé de Braga.
Como recordar a agência Ecclesia, o pálio, insígnia litúrgica de honra e jurisdição, é uma peça de lã branca com seis cruzes negras de seda, que o Papa abençoa e o seu núncio impõe aos arcebispos.









