Novo ataque em Moçambique deixa Macomia “totalmente destruída”

| 8 Jun 20

Macomia, Cabo Delgado, Moçambique.

A destruição em Macomia, depois do ataque terrorista. Foto: Direitos reservados

 

A zona urbana de Macomia (província de Cabo Delgado, norte de Moçambique) foi “totalmente destruída”, com “a maioria das infraestruturas do Estado danificadas e a zona comercial reduzida a cinzas”. Essa é, pelo menos, a descrição da irmã Blanca Nubia Castaño, das Carmelitas Teresas de São José, quando a comunidade de irmãs regressou à localidade, após alguns dias refugiadas noutra casa religiosa.

O ataque terrorista, “forte e cruel”, no dizer de Blanca Castaño, começou a 28 de Maio e durou três dias. Só no dia 4, quinta-feira da semana passada, as irmãs regressaram a Macomia, cerca de 200 quilómetros a norte de Pemba, em pleno Parque Nacional das Quirimbas, uma das zonas ambientalmente mais ricas do país.

As religiosas carmelitas tinham abandonado o edifício da comunidade e da missão, já avisadas para os riscos que a zona corria, segundo informações da Ajuda à Igreja que Sofre.

No regresso, foi possível ter uma primeira noção da destruição material, mas ainda se desconhece se houve vítimas dos ataques. “Ainda não sabemos o número de vítimas civis e das forças [de segurança]. Só ontem, [dia3 de Junho], as pessoas começaram a voltar lentamente para as suas casas, algumas foram queimadas, outras saqueadas…”. E lembra a irmã Blanca: “Há apenas um ano que vivemos a destruição da passagem do ciclone Keneth.”

A casa da missão foi poupada no ataque, aparentemente por estar mais afastada do centro de Macomia, alvo do ataque, e próxima de uma base militar. “Decidimos visitar, encorajar e ajudar pelo menos os nossos trabalhadores e as suas famílias. Por questões de segurança, tivemos que voltar hoje mesmo para a outra missão onde estamos refugiadas”, acrescentou a religiosa.

 

“Elites internas e externas”

A região Norte de Moçambique tem sido alvo de ataques de bandos armados desde há quase dois anos e, de forma mais intensa, nos últimos meses. Há quem atribua os ataques ao Daesh, há quem diga que isso não é seguro, apesar de ter havido ataques onde os insurgentes desfraldaram bandeiras com o símbolo daquele grupo terrorista.

Na semana passada, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, afirmou que “o país não vai ceder a chantagens de guerra”. Citado pelo Vatican News, Nyusi atribuiu a “elites internas e externas” a violência que tem atingido a região de Cabo Delgado.

Há pouco mais de um mês, o bispo de Pemba, o brasileiro Luiz Fernando Lisboa, escreveu uma carta às autoridades do país. No documento, como foi referido pelo 7MARGENS, o bispo pedia também a ajuda da União Europeia e da ONU, no sentido de que haja uma “ajuda concreta” à região.

A situação tem provocado a destruição de várias aldeias e vilas e já houve ataques mesmo muito próximo de Pemba. As populações têm fugido para o mato ou correm a refugiar-se em lugares mais seguros.

Informações chegadas ao 7MARGENS nesta segunda-feira dão conta de que cerca de 200 pessoas das zonas afectadas pelos ataques terão procurado refúgio, nos últimos dias, nas paróquias de Namapa e Nacaoa, mais de 100 quilómetros a sudoeste de Pemba.

O padre Raul Viana, dos Missionários Espiritanos, na missão de Itoculo (mais a sul, na zona de Nacala), recebeu informações de um colega dos Missionários Combonianos, segundo as quais, para já, essas pessoas têm recebido alimentos e produtos de higiene fornecidos pelo Governo. Também a Cáritas da diocese disponibilizou um pequeno fundo para comprar farinha.

 

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