
Nuno Almeida, o novo bispo de Bragança-Miranda. Foto © Ecclesia/PR
“Estou entre vós como quem serve”. É com a invocação destas palavras atribuídas a Jesus (no Evangelho de Lucas 22,27) que Nuno Almeida, até aqui bispo auxiliar de Braga, se apresenta à Diocese de Bragança-Miranda, como seu novo prelado, na sequência da nomeação do Papa Francisco, divulgada esta sexta-feira pelo Vaticano.
Depois de mais de ano e meio de espera, se se contar com a data do anúncio da nomeação, como arcebispo de Braga, do seu antecessor, José Cordeiro, os católicos do Nordeste Transmontano vão contar com um bispo que tem deixado um rasto positivo por onde tem passado.
No seio do episcopado português, Nuno Almeida tem sido um dos membros com posições mais claras no que toca, por exemplo, aos abusos sexuais e de poder no interior da Igreja, como o 7MARGENS referiu, em mais de uma ocasião.
Além disso, os ecos que chegam do exercício do seu ministério nas visitas pastorais na diocese de Braga são os de uma pessoa simples, acessível, comunicativa e que comunica esperança.
É, de algum modo, isso que ele sublinha, na mensagem aos cristãos da sua nova diocese: “Apresento-me a vós como alguém que tem encanto pelo Evangelho como Palavra para viver pessoal e comunitariamente”. E acrescenta: “Sendo frágil e pecador, procuro, em cada dia, afinar o meu pensar, sentir e agir pelo Evangelho.”
Na longa lista de pessoas e entidades a quem dirige a sua saudação, Nuno Almeida promete “fazer-se próximo de todos os que trabalham e estudam pelas terras transmontanas, ou que tiveram de partir para outras cidades e países”.
Dirigindo-se aos jovens e, em especial, aos escuteiros, cujo centenário se celebra dentro de dias, o novo líder da diocese brigantina apela a que não se deixem resignar e não se cansem de “sonhar o sonho de Deus” para a Diocese e para “o nosso mundo”.
No agradecimento especial que dirige ao Papa Francisco pela confiança nele depositada, anuncia o propósito de se comprometer “sem reservas” com o caminho sinodal – “um modo de ser igreja mais feliz, mais comunitário, sinodal e missionário”, diz.
O caminho que está a ser percorrido, adianta ainda, é a convocação para “um renovado empenho por comunidades mais fraternas e unidas, mais corresponsáveis e orgânicas, mais abertas e missionárias e a buscarmos sempre juntos (sinodalmente) caminhos pastorais mais fecundos e semeadores de esperança”. E esse processo não se faz para ou por causa da Igreja mas no sentido de “contribuir para resolver os enormes problemas que as pessoas e as famílias têm de enfrentar na atualidade, ajudando-as a encontrar um projeto de vida feliz”.
Quem é o novo bispo de Bragança-Miranda

Nuno Almeida, novo bispo de Bragança-Miranda, no Mosteiro de Palaçoulo. Foto © Diocese de Bragança-Miranda
Nuno Manuel dos Santos Almeida nasceu em Sátão, distrito e diocese de Viseu, em 1962, e foi para o seminário em Fornos de Algodres aos dez anos, sendo ordenado como presbítero aos 24, na sequência de um curso superior de Teologia feito em Viseu e da licenciatura, também em Teologia, na Universidade Católica Portuguesa (Porto), com uma tese sobre O diálogo com os não crentes.
Depois da ordenação exerceu o ministério durante largos anos em várias paróquias daquela diocese, tendo também desempenhado funções de secretário ou chefe de gabinete do bispo local e de responsável por vários departamentos da pastoral diocesana.
Esse trabalho não o impediu de investir nos estudos de pós-graduação, tendo concluído em 2006 o mestrado na UCP-Porto em “Fé e Psicoterapia”, com uma tese intitulada A dimensão sanante da reconciliação. Entretanto, exerceu também funções docentes, entre 2008 e 2012, no Instituto Superior de Teologia de Viseu.
Enquanto isso, iniciou os estudos com vista ao doutoramento, numa primeira etapa no Porto, tendo obtido esse grau em 2016, na Universidade Salesiana de Roma, com uma tese em Teologia Dogmática intitulada Busca de sentido da vida e reconciliação cristã: leitura teológica do pensamento de Viktor Frankl.
Quando obteve este grau académico era já bispo auxiliar de Braga, função para que havia sido nomeado pelo Papa Francisco em novembro de 2015, tendo sido ordenado bispo no último dia de janeiro seguinte, na Sé de Viseu.
No âmbito da Conferência Episcopal, foi vogal da Comissão Episcopal do Laicado e Família e da Comissão Vocações e Ministérios, de 2016 até este ano de 2023. Em Abril, foi eleito presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família.
Mensagens da CEP, de Braga e de Bragança
O administrador da diocese de Bragança-Miranda, Adelino Fernando Paes, que exerceu responsabilidades durante o longo período de sede vacante, divulgou uma mensagem de saudação ao “novo pastor”, mal foi anunciado o nome daquele que é o seu 45º bispo.
Manifestou a esperança de, “juntos”, percorrerem um “caminho sinodal de renovação pastoral nas diversas comunidades e ambientes deste belo nordeste transmontano”, lembrando que toda a diocese passará doravante a rezar pelo bispo Nuno Almeida, nomeadamente nas missas que nela se celebrarem.
A Conferência Episcopal Portuguesa emitiu também esta sexta-feira uma nota em que se congratula com a nomeação do bispo Nuno Almeida para Bragança-Miranda, desejando-lhe “um fecundo ministério pastoral junto do Povo de Deus desta Diocese” e que “exerça o seu ministério em dinamismo sinodal, evangelizador e missionário”.
Por sua vez, o arcebispo de Braga José Cordeiro agradeceu, num comunicado, o trabalho desenvolvido pelo seu auxiliar e manifestou a sua alegria por Bragança, “a comemorar 478 anos da sua criação a partir de Braga” e “após um tempo dilatado de sede vacante com duplicada quaresma/páscoa”, acolher finalmente “um novo pastor em aleluia pascal”.









