O novo bispo de Portalegre-Castelo Branco, Pedro Fernandes, assumiu um compromisso com os migrantes e outros excluídos da sociedade, garantindo que tudo fará para que estes se sintam acolhidos na Igreja Católica. O missionário espiritano deixou esta mensagem no final da sua ordenação episcopal, que decorreu na tarde do passado domingo, 16 de novembro, na Sé de Portalegre
“Contem com a minha oposição a todas as formas de intolerância e a exclusão injusta. Peço a Cristo que nos conceda a graça de estar com Ele e n’Ele, ao serviço dos mais frágeis, assumindo os quatro verbos que os Papas Francisco e Leão XIV sublinharam para descrever a solicitude cristã relativamente aos migrantes: acolher, proteger, promover e integrar”, afirmou o prelado na alocução que fez no final da celebração, presidida pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, José Ornelas.
O novo bispo acrescentou que estes verbos se aplicam “também com igual pertinência a todas as pessoas magoadas pela exclusão, pelos discursos de ódio ou pela indiferença que mata”. E afirmou perentoriamente: “Na Igreja não há estrangeiros, nem irmãos de segunda”.
“Aos migrantes, aos membros de comunidades minoritárias, aos portadores de deficiência, aos reclusos, aos solitários, aos doentes e idosos, a todos, quero dizer que tudo farei no que possa estar ao meu alcance para que a Igreja seja mesmo a sua casa, onde se sintam acolhidos, protegidos, promovidos e integrados”, sublinhou naquela que foi a primeira vez que se dirigiu à diocese depois da ordenação episcopal.
Nesta primeira alocução, o bispo Pedro Fernandes assinalou ainda a “injusta redução para uma periférica situação de interioridade secundarizada e não suficientemente atendida” das regiões abrangidas pela diocese, a qual “tem posto a população numa posição de crónica carência e desigualdade”.
“Estar ao lado do povo de Deus é subscrever também esta causa da igualdade e da justiça”, reconheceu, perante uma Sé que foi pequena para as inúmeras pessoas que quiseram assistir à sua tomada de posse. E expressou o desejo de “resistir a todas as formas de falsidade que destroem a família, os valores autenticamente humanos e o respeito pela liberdade e pela dignidade das pessoas, sobretudo as mais frágeis”.
Depois, terminou com um lembrete: “A todos os batizados e batizadas, deixem-me dizer que a Igreja somos todos nós. Não se tratará apenas de dizer que sou eu que conto com a vossa colaboração para o meu trabalho, mas sobretudo que são vocês que poderão contar sempre comigo”.
Pedro Fernandes, 56 anos, foi nomeado bispo da diocese de Portalegre-Castelo Branco pelo Papa Leão XIV, a 7 de outubro, sucedendo a Antonino Dias, que renunciou por motivos de idade e cujos “anos de sangue, suor e lágrimas que passou ao serviço” da comunidade diocesana o novo bispo elogiou no seu discurso.
O missionário espiritano disse esperar agora dos diocesanos “muita disponibilidade” para lhe ensinarem “caminhos comuns”, “muita paciência” com as suas “demoras e tantos limites” e “muito compromisso missionário”. “Diz-nos Jesus que sem ele nada podemos fazer. E sabemos nós que também nada podemos fazer uns sem os outros”, concluiu.










