Novo documento do Vaticano contra a eutanásia: quem escolher essa via, fica excluído dos sacramentos

| 23 Set 20

Alberto Baumann, “Eutanasia of the Dream” (Eutanásia do Sonho), 1984, técnica mista sobre tela.

 

Numa altura em que diversos países europeus se preparam para legalizar a prática da eutanásia, o Vaticano lança um novo documento reafirmando a oposição à morte medicamente assistida. O texto, divulgado esta terça-feira, 22 de setembro, pela Congregação para a Doutrina da Fé, sublinha que aqueles que optarem por essa via ficarão excluídos dos sacramentos.

“Assim como não se pode aceitar que outro homem seja nosso escravo, mesmo se no-lo pedisse, também não se pode escolher diretamente atentar contra a vida de um ser humano, mesmo se este o requeresse”, afirma o documento, intitulado Samaritanis bonus (em português, “O bom samaritano”). “Qualquer cooperação formal ou material imediata a um tal ato é um pecado grave” que nenhuma autoridade “pode legitimamente” impor ou permitir.

O documento, assinado pelo cardeal Luis Ladaria, presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, e pelo seu secretário, o arcebispo Giacomo Morandi, frisa que aceitar o pedido de um doente que diz querer a eutanásia “não significa reconhecer a sua autonomia e valorizá-la”. Significa, em vez, disso, “desconhecer o valor da sua liberdade, fortemente condicionada pela doença e pela dor, e o valor da sua vida”.

Ao praticar o suicídio assistido, “decide-se no lugar de Deus o momento da morte”, afirma o texto. Por isso, “aborto, eutanásia e suicídio voluntário corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem do que os que os padecem; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador”.

No documento, sugere-se que “médicos e profissionais da saúde sejam formados para um acompanhamento cristão do moribundo”, uma medida cuja importância sobressai agora, mais do que nunca, devido à pandemia de covid-19.

Quanto ao acompanhamento espiritual e sacramental daqueles que pedem a eutanásia, “é necessária uma proximidade que convide sempre à conversão”, defende a Congregação para a Doutrina da Fé. E deixa uma mensagem clara a todos os religiosos: “Não é admissível qualquer gesto exterior que possa ser interpretado como uma aprovação da ação eutanásica, como, por exemplo, o estar presente no momento de sua realização”. Tal presença “não se pode interpretar senão como cumplicidade”.

Quanto àqueles “que promulgam leis sobre a eutanásia e o suicídio assistido”, para o Vaticano “tornam-se, portanto, cúmplices do grave pecado que outros cometerão”. O documento refere que os governos têm de reconhecer a “objeção de consciência nos campos médico e da saúde” e, caso não o façam, a Igreja considera que “é possível chegar à situação de ter que desobedecer à lei, para não acrescentar injustiças à injustiça, condicionando a consciência das pessoas”.

A legalização da eutanásia está neste momento em discussão em países como a Irlanda, Espanha e também Portugal. Na semana passada, diversos grupos pró-vida alertaram para o facto de a proposta  irlandesa ir mais longe do que nos restantes países europeus, exigindo que os médicos que não queiram praticar a eutanásia indiquem outro profissional que os substitua e obrigando a um prazo máximo de 14 dias entre o momento em que o paciente solicita a eutanásia e a prática da mesma. A definição de “doença terminal”, referem, é também demasiado abrangente, de tal forma que poderá incluir as demências.

Em Espanha, depois de a proposta ter chegado ao Parlamento, pela terceira vez, em fevereiro deste ano, altura em que foi aprovada por uma ampla maioria, será esta semana submetida a votação do Congresso dos Deputados. No caso de Portugal, a comissão de Assuntos Constitucionais anunciou na semana passada que o processo legislativo para a realização de um referendo à eutanásia deverá estar concluído até à primeira semana de outubro.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

Fátima entra no Inverno e mantém restrições novidade

O Santuário de Fátima anunciou que, a partir do próximo dia 1 de Novembro, domingo, entra em vigor o horário de Inverno do programa celebrativo na instituição, mantendo entretanto em vigor as regras definias pelas autoridades de saúde para o combate à pandemia.

Uma viagem global pela santidade com o padre Adelino Ascenso

Do Tibete a Varanasi e ao Líbano, do budismo ao cristianismo, passando pelo hinduísmo. Uma viagem pela santidade em tempos de globalização é o que irá propor o padre Adelino Ascenso, no âmbito do Seminário Internacional de Estudos Globais, numa sessão presencial e em vídeo.

Uma “Teo Conversa” no Facebook

A propósito da nova revista de Teologia Ad Aeternum, a área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona vai iniciar nesta quinta-feira, 29, às 22h (19h em Brasília) um conjunto de debates em vídeo, que podem ser acompanhados na respectiva página no Facebook. 

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

Facebook proíbe conteúdos que neguem ou distorçam o Holocausto

Facebook proíbe conteúdos que neguem ou distorçam o Holocausto

A decisão foi anunciada esta segunda-feira, 12 de outubro, pela vice-presidente de política de conteúdos do Facebook, Monika Bickert, e confirmada pelo próprio dono e fundador da rede social, Mark Zuckerberg: face ao crescimento das manifestações de antissemitismo online, o Facebook irá banir “qualquer conteúdo que negue ou distorça o Holocausto”.

É notícia

Luto nacional a 2 de novembro, missa pelas vítimas da pandemia no dia 14

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira, 22, o decreto que declara a próxima segunda-feira, 2 de novembro, dia de luto nacional “como forma de prestar homenagem a todos os falecidos, em especial às vítimas da pandemia”. No próximo dia 14 de novembro, será a vez de a Conferência Episcopal Portuguesa celebrar uma eucaristia de sufrágio pelas pessoas que já faleceram devido à covid-19 no nosso país.

Camarões: Padre jesuíta detido por fazer uma peregrinação a pé

Ludovic Lado, um padre jesuíta que se preparava para iniciar, sozinho e a pé, uma “peregrinação pela paz” entre as cidades de Japoma e Yaoundé, capital dos Camarões, foi detido pela polícia, que o acusou de estar a praticar uma “atividade ilegal na via pública”. O padre foi depois submetido a um interrogatório, onde o questionaram sobre eventuais motivações políticas e lhe perguntaram especificamente se era apoiante do líder da oposição, Maurice Kamto.

Entre margens

“Fratelli Tutti”: Corajoso apelo novidade

Paul Ricoeur distingue nesse ponto a solidariedade e o cuidado ou caridade. Se a solidariedade é necessária, não pode reduzir-se a uma mera lógica assistencial. É preciso cuidar. Se as políticas de Segurança Social têm de se aperfeiçoar, a sociedade é chamada a organizar-se para o cuidado de quem está só ou está a ficar para trás.

Este país ainda não é para velhos

A pandemia só veio tornar evidente o abandono social dos mais velhos. Colocar um familiar num lar de idosos tornou-se potencialmente perigoso, por isso há que apostar num novo modelo de respostas sociais para os seniores.

Uma espiritualidade com ou sem Deus?

Sempre que o Homem procura ser o centro-de-si-mesmo, o individualismo e o relativismo crescem gerando o autoconsumo de si mesmo. Espiritualmente, há uma espiral autocentrada presente nos livros de autoajuda e desenvolvimento pessoal, que na bondade da intenção, não têm a capacidade de ajudar a sair de um ciclo vicioso egoísta e possessivo. No vazio cabem sempre muitas coisas, mas nenhuma se encaixa verdadeiramente.

Cultura e artes

Museus do Vaticano com cursos e iniciativas online

Os Patronos de Artes dos Museus do Vaticano lançaram uma série de iniciativas e cursos em vídeo, que incluem conferências ao vivo ou uma “hora do café” de perguntas e respostas com especialistas. O objectivo é que os participantes e apoiantes dos museus permaneçam ligados durante a pandemia.

O capitalismo não gosta da calma (nem da contemplação religiosa)

A editora Relógio d’Água prossegue a publicação em Portugal dos ensaios de Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano radicado na Alemanha. O tom direto e incisivo da sua escrita aponta, num registo realista, as múltiplas enfermidades de que padece a sociedade contemporânea, que o autor designa como sociedade pós-industrial ou sociedade da comunicação e do digital, do excesso de produção e de comunicação. A perda dos referentes rituais – análise que o autor refere como isenta de nostalgia, mas apontando o futuro – é uma dessas enfermidades, com as quais a vivência religiosa está intimamente relacionada.

Documentário sobre Ferreira d’Almeida disponível na RTP Play

O documentário abre com Carlos Fiolhais professor de Física na Universidade de Coimbra, a recordar que a Bíblia é o livro mais traduzido e divulgado de sempre – também na língua portuguesa. E que frases conhecidas como “No princípio criou Deus o céu e a terra” têm, em português, um responsável maior: João Ferreira Annes d’Almeida, o primeiro tradutor da Bíblia para português, trabalho que realizou no Oriente, para onde foi ainda jovem e onde acabaria por morrer.

Uma simples prece

Nem todos somos chamados a um grande destino/ Mas cada um de nós faz parte de um mistério maior/ Mesmo que a nossa existência pareça irrelevante/ Tu recolhes-te em cada gesto e interrogação

Sete Partidas

Outono em Washington DC: cores quentes, cidade segregada

Vou jantar fora com um grupo de amigas, algo que parece impensável nos dias que correm, e fico deslumbrada com o ambiente que se vive nas ruas, deparo-me com inúmeros bancos de jardim que agora se transformaram em casa para alguém, algumas tendas de campismo montadas em Dupont Circle, a rotunda que define a fronteira invisível entre ricos e pobres.

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Parceiros

Fale connosco