Os bispos católicos da Guiné Bissau apelaram esta quinta feira, 27 de novembro, ao “respeito pelas vidas humanas e dos direitos fundamentais consagrados nas leis do país”, ao mesmo tempo que dirigiram a todas as comunidades cristãs e a “todos os homens e mulheres de boa vontade uma palavra de paz e de solidariedade”.
A mensagem, que consta de um curto comunicado assinado pelos bispos de Bissau e de Bafatá e enviado ao 7MARGENS, é claramente motivada pelo golpe de estado que interrompeu a contagem dos votos da eleição presidencial do último domingo, ainda que se refiram apenas “a este momento tão delicado e importante da história da nação”, sem referir expressamente os acontecimentos.
Os dois bispos não deixam, entretanto, de pedir aos campos político e militar “respeito pelas normas democráticas”, além de “amor à pátria e espírito de sacrifício”. “O que é importante agora é olharmos para o futuro e para a construção do país e de uma sociedade harmoniosa e solidária”, sublinha o comunicado.
Na mensagem, os prelados afirmam acreditar que o povo guineense “tem reservas morais e religiosas que lhe permitem enfrentar o presente e o futuro com dignidade e com êxito”, sendo para tal “necessário que o bem comum prevaleça” sobre “interesses pessoais ou de grupo”.
Entretanto, segundo o site da emissora alemã Deutsche Welle, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) manifestou hoje “profunda estupefação e crescente inquietação” pelos acontecimentos. Por sua vez, a União Europeia pediu “o regresso célere à ordem constitucional e a reassunção do processo eleitoral”, apelando a que “se abstenham de todas as ações violentas”.
A organização Repórteres Sem Fronteiras denunciou a censura e “violação do direito à informação” decorrente da alegada suspensão de todos os meios de comunicação social no país, por parte das novas autoridades.










