
“Há uma continuidade teológica e uma proximidade íntima” entre Francisco e Bento XVI, assegura o cardeal Pietro Parolin no prefácio do novo livro. Foto: Rizzoli Libri.
Chegou esta terça-feira, 1 de setembro, às livrarias italianas a obra Uma Só Igreja, que apresenta uma seleção de textos do Papa Francisco e do emérito Bento XVI sobre temas chave para a Igreja Católica. O livro mostra as diferenças de estilo pastoral e de comunicação entre os dois, mas revela em simultâneo a “comunhão de afeto e a consonância espiritual que os une”, noticia o jornal católico italiano Avvenire.
“Há uma continuidade teológica e uma proximidade íntima entre eles”, assegura o cardeal Pietro Parolin no prefácio da obra, publicada pela editora Rizzoli. Para o secretário de Estado da Santa Sé, este livro é uma “cartilha do cristianismo”, constituindo-se como uma “oportunidade” para que os leitores se reorientem “na fé, na Igreja, na família, na oração, na verdade e na justiça, na misericórdia e no amor”.
Ao longo de 272 páginas, a obra “apresenta lado a lado as vozes de Bento XVI e do Papa Francisco sobre questões cruciais”, através das alocuções que proferiram em 16 das suas audiências semanais, nas quais abordaram os mesmos temas.
Suspensas deste 7 de março devido à pandemia de covid-19, as audiências públicas do Papa Francisco são retomadas esta quarta-feira, 2 de setembro. Ao longo dos últimos seis meses, foram realizadas à porta fechada na biblioteca da Casa Santa Marta e transmitidas através dos canais de comunicação do Vaticano. A partir de agora, terão lugar no Pátio de São Dâmaso, um dos espaços interiores do Palácio Apostólico, onde serão instaladas, no máximo, 500 cadeiras, avança o jornal Crux. Não é necessária a procura antecipada dos ingressos (gratuitos) de entrada.
Perdão da dívida para os “mais frágeis”
Na mensagem entretanto divulgada a propósito do Dia de Oração pela Criação, o Papa Francisco insiste no apelo à anulação da dívida externa dos “países mais frágeis”, tendo em conta o contexto da pandemia de covid-19. “A exploração do sul do planeta provocou um enorme défice ecológico”, escreve.
O Papa acrescenta, complementando argumentos que já referira na sua mensagem vídeo para a Rede Mundial de Oração: “Não devemos esquecer a história de exploração do sul do planeta, que provocou um enorme défice ecológico, devido principalmente à depredação dos recursos e ao uso excessivo do espaço ambiental comum para a eliminação dos resíduos”.
Citado pela Ecclesia, o Papa acrescenta: “É necessário ainda assegurar que os incentivos para a recuperação (…) se tornem realmente eficazes mediante políticas, legislações e investimentos centrados no bem comum e com a garantia de se alcançar os objetivos sociais e ambientais globais.”
Além disso, tem de se fazer “todo o possível para manter o aumento da temperatura média global abaixo do limite de 1,5 graus centígrados, como ficou consagrado no Acordo de Paris sobre o Clima”. Ultrapassar tal limite “revelar-se-á catastrófico, sobretudo para as comunidades mais pobres em todo o mundo”, diz, convidando cada país a “adotar metas nacionais mais ambiciosas para reduzir as emissões”.
O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2020, que se assinala a 1 de setembro, inicialmente por iniciativa do Patriarca ortodoxo Bartolomeu, marca o início do Tempo da Criação, que decorre até 4 de outubro, assumido por várias igrejas cristãs.










