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Rui Valério deixa o Ordinariato Castrense e regressa ao Patriarcado, onde já desempenhou funções pastorais. Foto © Ricardo Perna / JMJ Lisboa 2023

Rui Valério é o escolhido

Novo patriarca de Lisboa destaca jovens e abusos sexuais para a sua missão

| 10/08/2023

Rui Valério deixa o Ordinariato Castrense e regressa ao Patriarcado, onde já desempenhou funções pastorais. Foto © Ricardo Perna / JMJ Lisboa 2023

Rui Valério deixa o Ordinariato Castrense e regressa ao Patriarcado, onde já desempenhou funções pastorais. Foto © Ricardo Perna / JMJ Lisboa 2023

 

O novo patriarca de Lisboa, Rui Valério, 58 anos, que desde 25 de Novembro de 2018 desempenhava as funções de bispo das Forças Armadas e de Segurança, destaca os jovens e as vítimas de abusos sexuais como centro das suas preocupações para a nova missão.

Agradecendo aos jovens a “dádiva da alegria e do entusiasmo com que iluminaram de esperança o céu da humanidade”, o patriarca agora nomeado diz que as novas gerações são depositárias “de um dinamismo de vida e esperança que juntos iremos expandir para manter vivo”.

O 7MARGENS tinha adiantado no dia 15 de Julho que o anúncio do nome seria feito nesta quinta-feira, 10 de Agosto, quatro dias depois do regresso do Papa Francisco a Roma, após a conclusão da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa. E também apontara o nome de Rui Valério como “a carta fora do baralho”, que poderia deixar de lado outros nomes que, nos últimos meses, estiveram na berlinda para suceder ao actual patriarca.

 

Novo patriarca a 10 de Agosto, posse dia 2 de Setembro

 

O novo responsável máximo da diocese de Lisboa garante “disponibilidade para escutar”, nomeadamente para “escutar os jovens”, como se lê na mensagem publicada página oficial do Patriarcado de Lisboa.

“É hora e é o momento de nos congregarmos todos, de nos reunirmos para partilharmos uns com os outros o que os discípulos partilhavam no Cenáculo, essa experiência interior, essa transformação vivida em cada um de nós.”

“É a partir da transformação vivida por cada um que nós conseguiremos transformar o mundo”, acrescenta Rui Valério. “Ou seja, o grande projecto da nova humanidade que deve surgir da experiência de Jornada Mundial da Juventude, esse projecto de transformação do mundo e da humanidade, começa na transformação interior de cada um de nós”, acrescenta.

Referindo-se ao processo de debate sinodal que a Igreja Católica está a viver, diz ainda o patriarca nomeado, na sua mensagem: “Todos juntos, em sinodalidade, de mãos dadas, vamos levar para a história, para o tempo aquilo que no coração, no nosso coração, no coração da Igreja, no coração do Patriarcado, no coração de cada um de nós, aconteceu e o Senhor realizou.”

O sucessor do cardeal Manuel Clemente considera que uma das maneiras “mais pertinentes para manter viva a chama e a mística da Jornada Mundial da Juventude é não deslocar o foco dos jovens”, manifestando a esperança de que a JMJ de Lisboa dê “fruto abundante de humildade, de santidade e de serviço missionário que sonha chegar a todos”.

Na mensagem de saudação à diocese, o novo patriarca refere ainda explicitamente os “irmãos e irmãs vítimas de abusos por membros da Igreja”. “Partilho da vossa dor e, juntos, vamos prosseguir, com esperança, no caminho da cura total do vosso e nosso sofrimento, da tolerância zero.”

Confessando-se com “temor e tremor”, o novo patriarca Valério diz que outro sentimento que o atravessa é o que decorre da “intenção de escutar”: “Deus falou-nos por meio do Filho, na prontidão e alegria dos jovens, nos gestos e palavras do Papa Francisco, na disponibilidade e serviço de tanta instituição e na generosidade de muitas pessoas”, diz, referindo-se ainda à JMJ. “Estamos convocados a escutar-nos reciprocamente, permanecendo e caminhando juntos, ao bom jeito de sinodalidade, para escutar a voz de Deus na Palavra que Ele dirigiu a cada um de nós.” E acrescenta: “a escuta é ponto estruturante do nosso programa, como o é o exemplo dos apóstolos pobres, despojados e desprendidos de tudo.”

Dirigindo-se ainda aos leigos, a propósito do Sínodo católico, o patriarca nomeado diz: “Na mudança de época que vivemos, pertence-vos a vós a determinante responsabilidade da evangelização do mundo e da cultura nas suas mais variadas vertentes, e de configurar o rosto sinodal do Povo de Deus.”

O 18.º patriarca de Lisboa tem a posse marcada para dia 2 de Setembro, como o 7MARGENS também adiantara há três semanas. A entrada solene na diocese será no dia seguinte, às 16h, no Mosteiro dos Jerónimos.

A tomada de posse d novo patriarca de Lisboa acontece dia 2 de setembro. Foto © Ricardo Perna / JMJ Lisboa 2023

O novo patriarca deverá ver nomeados novos bispos auxiliares em breve. Foto © Ricardo Perna / JMJ Lisboa 2023

 

A este espaço tão curto entre o anúncio e a posse não será estranha a vontade de Manuel Clemente deixar o cargo e passar ao seu sucessor as nomeações e decisões relativas ao próximo ano pastoral.

O novo patriarca nasceu a 24 de Dezembro de 1964, em Urqueira (Ourém), tendo ingressado na Congregação dos Padres Monfortinos em 1984. Frequentou Filosofia e Teologia em Roma e fez a sua profissão perpétua naquela congregação religiosa em 1990. Foi ordenado padre em 1991.

Foi pároco por duas vezes em Castro Verde (Diocese de Beja) e colaborador na Paróquia da Póvoa de Santo Adrião (Odivelas). Entre 2008 e 2011, foi capelão militar na Escola Naval da Marinha. Em 2016, foi um dos 1071 padres enviados pelo Papa como “missionários da misericórdia”, durante o ano jubilar da misericórdia proclamado pelo Papa Francisco.

Em 27 de Outubro de 2018, Rui Valério foi nomeado bispo das Forças Armadas e de Segurança, sendo ordenado em 25 de Novembro seguinte. Actualmente é delegado da Conferência Episcopal Portuguesa para as Relações Bispos/Vida Consagrada e membro da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização.

 

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