Novo projeto da Universidade Católica quer ajudar instituições a proteger crianças e jovens

| 3 Jun 20

Cartaz do projeto Cuidar, de proteção e bom-trato de menores contra abusos.

 

O dia foi escolhido a dedo: esta segunda-feira, 1 de junho, Dia Mundial da Criança, era anunciado oficialmente o lançamento do novo projeto do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa (CEPCEP), da Universidade Católica Portuguesa. Chama-se “Cuidar – Por uma cultura de proteção e bom-trato de crianças e jovens”, e irá prestar apoio às instituições da Igreja, e não só, na implementação de sistemas de proteção de menores.

“Percebemos que há um interesse e uma preocupação cada vez maior por parte das organizações em relação à proteção dos mais jovens, mas precisam de apoio, de alguém que os ajude a fazer este caminho”, explica Sofia Marques, coordenadora executiva do projeto.

Em declarações ao 7MARGENS, a jurista conta que “este projeto resulta de um diagnóstico feito pela Universidade Católica Portuguesa: percebeu-se que as instituições estão sensibilizadas para o tema, mas não têm estruturas sistematizadas e organizadas” para garantir a proteção dos menores. E exemplifica com o facto de “muitas delas terem um projeto educativo definido”, mas ser “muito menos comum terem um código de conduta da interação do adulto com a criança”.

O Cuidar pretende ajudar de diversas formas: prestando consultoria, desenvolvendo investigação na área, dando formação aos responsáveis e colaboradores das instituições, promovendo “comunidades de prática” e partilha, e organizando seminários.

A primeira formação inicia-se já no dia 18 de junho e destina-se a animadores voluntários de campos de férias para crianças e jovens. “O objetivo será sobretudo sensibilizá-los para a importância desta cultura do bom-trato”, explica Sofia Marques, que será uma das formadoras, juntamente com uma psicóloga. A formação, composta por três sessões de duas horas cada, será de frequência gratuita a aberta a todos os animadores voluntários interessados.

O projeto, que conta com o apoio da Fundação Porticus, tem a duração prevista de dois anos, um horizonte temporal que poderá ser revisto “em função da evolução do mesmo”, afirma Sofia Marques. Para já, o certo é que “existe uma grande vontade por parte das organizações de fazerem o bem”, assegura a coordenadora, “e nós estamos cá para ajudar a que façam o bem… bem feito”.

Infância. Abusos. Série

Série “Childhood Fracture” (V) [Fractura de infância], de Allen Vandever. Reproduzido de Wikimedia Commons

 

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