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Jerry Pillay, secretário-geral eleito ((17 Julho 2022) do Conselho Mundial Igrejas, que toma posse a 1 de Janeiro 2023. Foto © Peter Williams/WCC

Posse a 1 de Janeiro de 2023

Novo secretário-geral do CMI defende diálogo com Igreja Ortodoxa Russa

| 18/06/2022

Jerry Pillay, secretário-geral eleito ((17 Julho 2022) do Conselho Mundial Igrejas, que toma posse a 1 de Janeiro 2023. Foto © Peter Williams/WCC

Jerry Pillay, secretário-geral eleito do Conselho Mundial Igrejas, que toma posse a 1 de Janeiro 2023. Foto © Peter Williams/WCC

 

O secretário-geral eleito do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), o sul-africano Jerry Pillay, diz que a prioridade para ele “é a ideia de justiça e unidade” e, nesse sentido, defenderá o diálogo também com o Patriarca Cirilo e a Igreja Ortodoxa Russa.

“Continuar a trabalhar na unidade visível” é a “tarefa” do CMI, disse o secretário-geral eleito numa conferência de imprensa nesta sexta-feira, 17, depois da sua eleição. “A unidade cristã é tão importante. E digo-o novamente: uma igreja dividida apresenta um testemunho muito fraco e débil e frágil de um mundo muito fragmentado.”

Para Jerry Pillay, nascido em 1965, “a unidade é importante, pois a justiça é importante.” E acrescentou: “Algumas pessoas tendem a favorecer uma em detrimento da outra. Eu coloco ambas em planos iguais.” O Deus da justiça exige que os cristãos cuidem “dos pobres e dos negligenciados e que se mantenham “ao lado dos oprimidos nas suas situações”.

O CMI já fez isso no passado. “Vindo da África do Sul, tenho uma experiência maior do que a minha pessoal, sobre como o CMI desempenhou um papel vital no desmantelamento do apartheid, em solidariedade com [outros] cristãos”, afirmou Pillay, citado pelo serviço informativo do CMI.

Sobre a Rússia, em concreto, um jornalista perguntou ao secretário-geral eleito se o apoio do Patriarca Cirilo à “brutal guerra de agressão da Rússia” na Ucrânia poderia resultar na suspensão da Igreja Ortodoxa Russa do CMI.

“O CMI defende o diálogo”, respondeu Pillay.  “Precisamos do Patriarca; precisamos da Igreja Ortodoxa Russa connosco nestas conversas; não podemos tê-las sem eles.” De momento, a suspensão não está em cima da mesa, acrescentou, “especialmente se defendemos o diálogo”.

O secretário-geral eleito, que assumirá o cargo em Janeiro, já depois da 11ª assembleia do CMI, que decorrerá no início de Setembro em Karlsruhe (Alemanha), acredita que o facto de ter crescido durante um período de conflito e sofrimento na África do Sul o coloca em boa posição para liderar o Conselho Ecuménico na perspectiva do diálogo.

O nono secretário-geral do CMI, e primeiro sul-africano a assumir o cargo, é membro da Igreja Presbiteriana Unida na África Austral e reitor da Faculdade de Teologia e Religião da Universidade de Pretória. Pillay, informa o CMI,  foi um dos dois candidatos ao lugar – a concorrer estava também Elizabeth Joy, a primeira mulher candidata ao cargo, na história do CMI.

A história de Pillay confunde-se com a do seu país: quando estudou na universidade, na década de 1970, enquanto sul-africano de ascendência indiana, ele teve de frequentar a Universidade de Durban Westville – o ensino era segregado. Mais tarde, o doutoramento já foi feito na Universidade de Rhodes, que tinha sido exclusivamente para brancos, durante muitos anos.

O novo secretário-geral do CMI, organização criada em 1948, conta que nasceu e foi criado como um indiano sul-africano e que, apesar das origens familiares, nunca teve “quaisquer ligações com a Índia”. Terá sido provavelmente o seu trisavô, há cinco gerações, a ir para a África do Sul.

A propósito de dois defensores da não-violência activa – o sul-africano Desmond Tutu e o Mahatma Gandhi, indiano –, Pillay disse que uma das coisas que manteve muitas pessoas sãs no meio da insanidade do apartheid foi a “espiritualidade”.

“Naqueles dias sombrios do apartheid, eu entrava nas cidades (negras), e ficava profundamente inspirado e, mesmo assim, por vezes, perturbado pelo facto de ver pessoas a rir, a rezar, a alegrar-se e a dançar nas ruas. E eu perguntar-me-ia: como é que no mundo se pode fazer isto no meio do sofrimento? Por isso percebi muito rapidamente a [importância da] espiritualidade nesse sofrimento.”

Jerry Pillay substituirá o secretário-geral interino cessante, o romeno Ioan Sauca, que assumiu o cargo em Abril de 2020, quando o anterior secretário-geral, Olav Fykse Tveit, foi nomeado bispo presidente da Igreja da Noruega.

Agnes Abuom, moderadora do Comité Central do CMI, considerou que a escolha de Pillay é histórica.

 

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