AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Cabo Delgado, Moçambique

Casas, igrejas e mesquitas destruídas

Novos ataques violentos em Cabo Delgado provocam mortes e raptos

| 12/02/2024

Cabo Delgado, Moçambique

“A aldeia que foi atacada, na zona de Chiúre, já tinha sido atacada há um ano e meio, dois anos. Mas a questão religiosa não é só contra os católicos”, explica. “Como de costume, têm atacado absolutamente tudo. Têm atacado igrejas, têm atacado mesquitas e têm atacado as casas do povo…”Foto © ACN 2024.02.12 (site Fundação AIS)

 

Ataques em simultâneo a várias aldeias no final da semana passada, três aldeias de Mazeze (distrito de Chiúre) atacadas só na sexta-feira, dia 9 de Fevereiro, pessoas raptadas ou mortas, casas, igrejas e mesquitas destruídas. Estas são as últimas informações de nova investida dos grupos terroristas que desde há anos semeiam o terror na província de Cabo Delgado (Norte de Moçambique), que se reivindicam do Daesh, provocando o pânico nas populações que estão em fuga, procurando segurança na cidade de Pemba, ou escondendo-se nas matas.

De acordo com as informações recolhidas pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), os terroristas queimaram habitações, várias igrejas e mesquitas. “Sim, os ataques estão a acontecer”, diz um padre, cuja identidade não é revelada por razões de segurança.

“A aldeia que foi atacada, na zona de Chiúre, já tinha sido atacada há um ano e meio, dois anos. Mas a questão religiosa não é só contra os católicos”, explica. “Como de costume, têm atacado absolutamente tudo. Têm atacado igrejas, têm atacado mesquitas e têm atacado as casas do povo…”

Os ataques, noticia a AIS, estão a criar muito medo nas populações, que se esconderam no mato, e já levaram também à saída preventiva de vários missionários e religiosas que estavam na região. “Sim, há novos deslocados, há missionários também já deslocados”, diz o mesmo padre referido, que diz que um colega, várias religiosas e outros missionários “estão a fazer esse percurso no sentido de se protegerem e de protegeram também a população”.

A mesma fonte diz ter recolhido vários relatos nas últimas horas que atestam um ambiente de medo e insegurança que já não se verificava há algum tempo em Cabo Delgado. Uma religiosa a trabalhar na Diocese de Pemba há vários anos diz que, em toda a província, “a situação é muito, mas muito complicada”, e que “eles”, os terroristas, “estão espalhados pelos distritos sul e centro”. No entanto, a religiosa diz que se desconhece “qual seja o objectivo” destas movimentações e ataques.

Um outro missionário mostra a sua preocupação face à evolução desta situação de insegurança motivada pelas incursões de grupos armados em Cabo Delgado. “Até ao momento, soube que entraram na aldeia de Nacoja B, que fica no distrito de Chiure e pertence ao Posto Administrativo de Mazeze, nas margens do Rio Lúrio. Entraram na aldeia e queimaram casas e a igreja, assim como na aldeia de Nacussa e também em Ciripa. Ontem [sábado, dia 10], pela noite veio a notícia de que estavam a caminho da sede do posto de Mazeze. Até ao momento não tenho outra informação.”

 

Violência crescente nas últimas semanas

Cabo Delgado, Moçambique

“O povo já se deslocou para aldeias vizinhas e para a sede da vila de Chiure superlotando estes lugares”, diz o mesmo missionário, numa mensagem escrita enviada para a Fundação AIS em Lisboa.” Foto © ACN 2024.02.12 (site Fundação AIS)

 

Como primeiro impacto, os ataques provocaram uma debandada das populações que se sentem desprotegidas mesmo que, nas imediações, haja soldados moçambicanos ou dos países que estão a colaborar com as autoridades de Maputo na luta contra esta violência em Cabo Delgado. “O povo já se deslocou para aldeias vizinhas e para a sede da vila de Chiure superlotando estes lugares”, diz o mesmo missionário, numa mensagem escrita enviada para a Fundação AIS em Lisboa. “São pessoas que caminham grandes quilómetros e outras que estão escondidas pelas matas nos arredores das aldeias”, acrescenta.

Estes incidentes sucedem-se a outros episódios graves ocorridos já no início deste mês, como o 7MARGENS noticiou.

Nessa ocasião, mensagens de missionários presentes nesta região chegadas à AIS em Lisboa davam conta das movimentações dos grupos terroristas e do pânico que isso estava a gerar em diversas localidades. Um dos episódios mais graves ocorreu na tarde de 31 de Janeiro quando os insurgentes atacaram a aldeia de Naminaute, situada perto de Mieze, onde fica a paróquia de Nossa Senhora do Carmo, apoiada pelos Missionários Saletinos. No referido ataque, segundo a comunicação social local, as forças moçambicanas foram alvo de uma emboscada e dois militares terão sido mortos.

Recuando algumas semanas, há outros episódios de violência que mostram como se verifica uma amplitude invulgar nas movimentações dos terroristas em vários distritos da província de Cabo Delgado. O maior aparato militar na área não tem evitado o pânico.

A AIS tem apoiado diversos projectos de assistência pastoral e de apoio psicossocial às populações vítimas do terrorismo, mas também fornecimento de materiais para a construção de dezenas de casas, centros comunitários e ainda a aquisição de veículos para os missionários que trabalham junto dos centros de reassentamento que abrigam as famílias fugidas da violência.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur

[Entre Margens]

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur novidade

Não sei se a carta de «calorosas felicitações» do Secretário-Geral da ONU ao Presidente do Irão, por ocasião da celebração do bonito Dia Nacional da Revolução Islâmica compara bem com a sua tentativa de contextualização histórica do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Mas recorda-me um título e um autor. [Texto de João Santos].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This