Mongólia

Num país em que o Natal nem é feriado, houve três batismos na Missa do Galo

| 27 Dez 2023

Cardeal Giorgio Marengo com fiéis da comunidade católica na Mongólia. Foto Direitos reservados, via Vatican News

Cardeal Giorgio Marengo com fiéis da comunidade católica na Mongólia, na véspera de Natal. Foto: Direitos reservados, via Vatican News

 

Em nenhum outro país do mundo o acréscimo de apenas três fiéis representaria um aumento de 0,2% na comunidade católica. Mas foi isso que aconteceu na Mongólia este Natal, data que nem sequer é feriado no país, por este ser maioritariamente budista. Com apenas 1.450 católicos numa população total de 3,3 milhões, este aumento que pode parecer tão pequeno é especialmente significativo.

Quase quatro meses após ter recebido a visita do Papa Francisco, aquela que é uma das menores comunidades católicas do mundo está, assim, a crescer. E nem as baixíssimas temperaturas (na ordem dos 20 graus negativos) impediram que os seus fiéis lotassem a Catedral de São Pedro e São Paulo em Ulan Bator (que ainda por cima tinha o sistema de aquecimento central avariado), na noite de Natal, para participar na Missa do Galo e assistir ao batismo desses três novos membros.

A celebração, presidida pelo cardeal Giorgio Marengo, um missionário italiano da Consolata que está na Mongólia desde 2002, demorou quase duas horas e foi vivida intensamente, conta o jornal Crux nesta quarta-feira, 27.

Quem recebeu o batismo foram três mulheres: duas irmãs que tinham um vizinho católico a quem começaram a fazer perguntas sobre a sua fé e que lhes apresentou o então pároco da catedral (entretanto falecido) e uma jovem que vive num albergue gerido por freiras missionárias em Ulan Bator. As três começaram a frequentar regularmente a missa e acabaram por pedir para receber o sacramento do batismo, tendo feito um percurso catequético ao longo dos últimos dois anos.

Na sua homilia, o cardeal Marengo assinalou que o Natal, não sendo feriado na Mongólia – e calhando este ano a um dia útil – mostra como o silêncio do nascimento de Jesus no meio do caos da vida quotidiana “é uma oportunidade para refletir sobre como a sua graça penetra sem dar espetáculo, e imitar a sua pequenez e humildade”.

Depois, no dia 25, Marengo voltou a celebrar missa na catedral e distribuiu aos participantes uma tradução para o mongol da homilia do Papa Francisco na missa da vigília, centrada na pequenez e humildade de Jesus, em oposição ao messias forte e poderoso que muitos esperavam.

Alguns dias antes, cerca de 400 crianças e jovens da pequena comunidade católica da Mongólia haviam estado no salão paroquial da catedral, onde encenaram uma peça de Natal. Mais um sinal do trabalho que os missionários católicos estrangeiros, vindos de países como Itália, Ruanda, Camarões e Índia, têm desenvolvido desde meados dos anos 90, altura em que puderam começar a entrar no país, após 70 anos de comunismo soviético.

Crianças da comunidade católica na Mongólia encenam peça de Natal, dezembro 2023. Foto Direitos reservados, via Vatican News

Momento da peça de Natal encenada pelas crianças da comunidade católica em Ulan Bator. Foto Direitos reservados, via Vatican News

 

Ao longo da sua visita no verão, o Papa Francisco – primeiro pontífice a visitar a Mongólia – elogiou o trabalho destes missionários e os benefícios dos projetos sociais de caridade da Igreja Católica, ao mesmo tempo que ofereceu garantias aos líderes políticos ainda desconfiados em relação à religião de que a Igreja não é uma ameaça, mas sim um benefício através do seu serviço aos pobres e necessitados.

 

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